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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a morte do bebê Lorenzo Manoel Faria Barros, de oito meses, e o atendimento na rede municipal de saúde de Ribeirão Preto, ouviu nesta quinta-feira, 18 de abril, a mãe do menino, Nathália Cristina da Silva. Ela é menor de idade e prestou depoimento junto com a avó da criança, Lilian da Silva Faria.

O bebê de oito meses morreu em 23 de fevereiro, depois de ser atendido, no mesmo dia, na Unidade Básica Distrital de Saúde Doutor Sérgio Arouca (UBDS Norte), no Quintino Facci II, na Zona Norte, e também na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da avenida Treze Maio, no Jardim Paulista, na Zona Leste.

No depoimento, elas afirmaram que Lorenzo teria morrido por causa da aplicação do medicamento Promo­prida por profissionais da Unidade de Pronto Atendimento. A família diz que o remédio deve ser prescrito para crianças com mais de um ano de idade. Também garantem que a Secretaria Municipal da Saúde não entrou em contato com a família após a morte do bebê. “Só sabemos das informações pelas reporta­gens”, afirma a avó.

Segundo o boletim de ocorrência (BO) registrado pela família, pri­meiro Lorenzo foi atendido no dia 21, na UBDS do Quintino Facci II, e foi para casa depois de medicado. Na manhã do dia 23, ele passou mal novamente e voltou a ser levado para a Distrital Norte, onde passou por exames, foi medicado (recebeu uma injeção) e liberado em seguida. Três horas depois, foi atendido na UPA, onde faleceu.

O menino fazia tratamento de anemia falciforme – doença genética caracterizada pela alteração dos glóbulos vermelhos do sangue – na pediatria do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, e os familiares pediram para que ele fosse encaminhado ao HC, o que não ocorreu. A advogada da família, Mônica Queiroz, afirmou para a comissão que o laudo com a causa da morte do Instituto Médico Legal (IML) revelou anemia, mas que ainda não foi divulgado.

Segundo o secretário municipal da Saúde, Sandro Scarpelini, não houve falhas administrativas porque todos os procedimentos foram respeitados. A dúvida é quanto à conduta do médico que atendeu o menino na UBDS, na manhã de sábado – se ele deveria ter encami­nhado a criança para um hospital ao invés de mandá-lo para casa. A Polícia Civil e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) também investigam o caso.

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