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Ribeirão Preto
7 de julho de 2022 | 14:23
Jornal Tribuna Ribeirão
BERNADETT SZABO/REUTERS

Derrotas militares atrasam avanço russo na Ucrânia

O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelensky, saudou na segunda-feira, 16 de maio, um grupo de soldados ucra­nianos que chegou à fronteira russa perto de Kharkiv, um momento carregado de sim­bolismo que mostra a dificul­dade enfrentada pela Rússia para sustentar suas posições.

No domingo (15), um grupo de soldados postou um vídeo diante do marco da fronteira com a Rússia. “Che­gamos, presidente”, disse o comandante. No dia seguinte, Zelensky respondeu. “Rapa­zes do 227º Batalhão, muito obrigado”, saudou. “Desejo a todos saúde. Cuidem-se.”

O episódio mostra que, três meses após o lançamento da invasão, a Rússia cada vez mais reduz seus objetivos na guerra. Depois de não conseguir tomar Kiev e fracassar na tentativa de derrubar o governo ucraniano, as forças russas se reagruparam, no mês passado, para uma nova fase da ofensiva no leste do país.

Até agora, porém, os rus­sos não garantiram nenhuma vitória estratégica significati­va. Pior, as derrotas se acumu­lam e a pressão aumenta sobre Vladimir Putin. Na semana passada, a Rússia foi forçada a retirar suas forças dos subúr­bios de Kharkiv, frustrando uma plataforma para avançar rumo ao sul e cercar as tropas ucranianas em Donbas.

No domingo, autoridades do Reino Unido revelaram que a Rússia parece ter perdido cer­ca de um terço das tropas que enviou para a Ucrânia. O esfor­ço de guerra russo em Donbas, segundo os britânicos, “perdeu impulso e está atrasado”.

Um exemplo da campanha desastrosa veio na semana pas­sada. O comando russo enviou 550 soldados da 74ª Brigada de Fuzileiros Motorizados para cruzar o Rio Donets, em Bi­lohorivka, perto de Luhansk. No mesmo dia, imagens de sa­télite mostraram o estrago feito pela artilharia ucraniana: pon­tes flutuantes russas destruídas, tanques e equipamentos em pe­daços às margens do rio.

A notícia das perdas em Bilohorivka se espalhou rapi­damente, provocando críticas incomuns de alguns influencia­dores russos na internet. “Estou há muito tempo em silêncio”, disse Yuri Podoliaka, blogueiro de guerra com 2,1 milhões de seguidores no Telegram. “Mas a gota d’água foram os even­tos em Bilohorivka, onde, por estupidez do comando russo, pelo menos um grupo tático foi queimado, possivelmente dois.”

Outro influenciador, Vla­dlen Tatarski, postou que a ofensiva da Rússia estava empa­cada por causa dos “generais” e suas táticas. “Até que tenhamos o sobrenome do gênio militar que deixou um batalhão à beira do rio, e ele responda por isso, não teremos nenhuma reforma militar”, escreveu.

Michael Schwirtz, corres­pondente do New York Times, relatou que, até duas semanas atrás, não havia caças no céu da Ucrânia desde abril. De lá para cá, ele observou vários avi­ões de combate e helicópteros ucranianos. A incapacidade da Rússia de controlar o ar estaria dificultando, segundo ele, sua capacidade de avançar.

Nas últimas semanas, am­bos os lados têm lutado vilarejo a vilarejo, mas sem supremacia de ninguém. “As chances de um rápido sucesso desapare­ceram”, afirmou Chris Tuck, especialista do King’s College, de Londres. “A capacidade da Rússia para operações ofensi­vas diminuiu e não devemos ter qualquer grande avanço russo.”

Azovstal
Apesar da sequência de derrotas russas, o comando militar da Ucrânia declarou na segunda-feira o “fim da mis­são de combate” no complexo siderúrgico Azovstal, em Ma­riupol, o que agências interna­cionais apontaram para o que pode ser uma conquista para o Exército da Rússia.

Tropas escondidas no últi­mo reduto ucraniano no porto sitiado de Mariupol começa­ram a deixar o local. Defenso­res ucranianos têm resistido por semanas no complexo si­derúrgico sob intenso ataque russo. A vice-ministra da De­fesa da Ucrânia, Anna Malyar, disse que 53 soldados feridos da siderúrgica foram levados para um hospital na cidade controla­da pela Rússia de Novoazovsk, cerca de 32 quilômetros a leste.

Outras 211 pessoas foram levadas para a cidade de Ole­nivka, em uma área controla­da por separatistas apoiados pela Rússia, disse Malyar. To­dos os retirados do local es­tarão sujeitos a uma possível troca de prisioneiros com a Rússia, acrescentou ela.

Tropas ucranianas dizem que resistiram em Azovstal por 82 dias, ganhando tempo para o restante da Ucrânia comba­ter as forças russas e garantir as armas ocidentais necessárias para resistir ao ataque da Rús­sia. Mas a retirada provavel­mente marcou o fim da bata­lha mais longa e sangrenta da guerra da Ucrânia e uma der­rota significativa para Kiev.

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