ROVENA ROSA/AG.BR.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Ser­viços e Turismo (CNC) esti­ma para o Dia dos Pais deste ano volume de vendas de R$ 6,03 bilhões, maior fatura­mento desde 2018, com alta de 13,9% em comparação à mesma data no ano passado. Segundo o economista sênior da CNC, Fabio Bentes, o ano passado foi o pior em 13 anos para os papais. Esta é a quar­ta data comemorativa mais importante para o comércio varejista brasileiro.

Na mesma época do ano passado, quando o varejo ain­da experimentava o início do processo de flexibilização das medidas restritivas voltadas ao combate à primeira onda da pandemia do novo coronaví­rus, as vendas caíram 11,3% e geraram o menor volume financeiro (R$ 5,30 bilhões) desde 2007, que foi de R$ 4,98 bilhões. Agora, já há vá­rias regiões brasileiras auto­rizando o funcionamento do comércio a toda capacidade.

Em Ribeirão Preto, desde esta sexta-feira, 30 de julho, e até 16 de agosto a abertura do comércio, serviços e demais atividades está liberada das seis da manhã até a meia-noite, de domingo á segunda-feira, com 80% de ocupação segun­do a capacidade de público prevista em alvará. A expec­tativa é, a partir do dia 17, to­das as restrições do Plano São Paulo sejam derrubadas.

Bentes reforça que, apesar da fraca base comparativa de 2020 favorecer o registro de taxas de incremento mais sig­nificativas neste ano, a inflação constitui obstáculo para o va­rejo não só para o Dia dos Pais, como também para as demais datas comemorativas. De acor­do com o economista, a infla­ção está alta porque está sendo puxada por itens específicos na média da cesta de preços.

A cesta de bens e serviços para o Dia dos Pais sinaliza crescimento de 7,8% em rela­ção à do ano passado, maior variação desde 2016, quando subiu 8,6%. Dos 13 itens ana­lisados, apenas dois estão, em média, mais baratos do que há um ano: livros (1,7%) e apare­lhos de som (1,3%). Os maio­res aumentos são observados em televisores (22,3%), bebi­das alcoólicas (11,8%) e perfu­mes (10,5%).

Ele salienta que no setor de vestuário, que ainda passa por dificuldades, a tendência é de aquecimento nas vendas. “O setor não está tendo espaço para reajustar preços”, explica. A projeção é que as lojas que vendem roupas faturem em torno de R$ 2,43 bilhões, ou o equivalente a 40,2% do total estimado para este ano, seguin­do-se os ramos de utilidades domésticas e eletroeletrônicos (R$ 1,24 bilhão) e produtos de perfumaria e cosméticos (R$ 0,86 bilhão).

Comércio eletrônico
Para o economista, no caso das vendas online, a tendência é desacelerar um pouco, de­pois da alta de 47% de janeiro a maio deste ano, de acordo com a Receita Federal. Bentes diz, porém, acreditar que, como a economia está reabrindo, pelo menos aquelas pessoas que estavam indo para o comércio online, principalmente no iní­cio da segunda onda, vão vol­tar ao comércio presencial.

Ele destaca que os sho­pping centers torcem pelo in­cremento das vendas presen­ciais, porque, com as restrições à circulação de pessoas, este é um setor que vai demorar a se recuperar. Segundo ele, a tendência, daqui para a frente, é ter uma situação mais equi­librada entre o consumo pre­sencial e o consumo online nesta e nas demais datas come­morativas neste ano.

Em ternos regionais, a pesquisa da CNC revela que São Paulo, com R$ 2,15 bi­lhões, Rio de Janeiro, com R$ 632,1 milhões; e Minas Ge­rais, com R$ 629,3 milhões, devem responder pela maior parte (56,6%) da movimen­tação financeira com o Dia dos Pais neste ano. De acordo com a CNC, todas as unida­des federativas deverão ter avanço real ante os montan­tes do ano passado.