JOSÉ CRUZ/AG.BR.

A ex-presidente Dilma Rousseff reagiu nesta sexta-feira, 25, ao anúncio do depu­tado Jean Wyllys (PSOL) sobre sua desistência de assumir o terceiro mandato na Câmara. Ele alegou ter sofrido ameaças de morte e vai deixar o Brasil. A petista disse que “a razão para este ato extremo é ter sido ameaçado de morte pelos mesmos milicianos que mata­ram Marielle Franco”. A ex-ve­readora foi assassinada no Rio de Janeiro em 14 de março de 2018. Até hoje o crime perma­nece sem solução.

Por meio das redes sociais, Wyllys disse temer por sua vida. Ele foi reeleito em ou­tubro com 24.295 votos. A ex -presidente comentou que “o deputado Jean Wyllys, defen­sor dos direitos humanos – das mulheres, dos homossexuais e LGBTIs, da população negra e do povo trabalhador de nosso país – renunciou ao seu man­dato e vai exilar-se”.

“Quando um parlamentar destemido e corajoso como o deputado Jean Wyllys não considera segura sua presença no país, a democracia não está apenas ameaçada, mas pro­fundamente ferida”, ela afirma Na quinta-feira (24), quan­do o jornal Folha de S. Paulo divulgou entrevista em que Wyllys revelou sofrer amea­ças, o presidente Jair Bolsona­ro (PSL) usou seu Twitter para dizer: “Grande dia!”.

Bolsonaro não citou o nome do parlamentar e, de­pois, negou que a frase tenha sido em referência a Wyllys. No entanto, usuários das redes interpretaram a declaração do presidente como uma espécie de comemoração à renúncia do deputado do PSOL. O deputa­do chegou a ser alvo de pro­cesso movido pelo presidente por injúria e calúnia, em razão de ter chamado Bolsonaro de “fascista”, “burro”, “ignorante”, “racista” e “canalha”. A quei­xa-crime foi arquivada em de­zembro pelo ministro decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello.

No Twitter, Dilma escreveu. “Confirma os temores do de­putado Jean Wyllys o fato de o presidente da República come­morar sua decisão. É terrível que uma autoridade defenda milícias, é estarrecedor que um candidato tenha ameaça­do seus opositores com exílio e prisão.” A ex-presidente ainda diz ser “inadmissível que um Presidente possa se orgulhar ou comemorar algum desses fatos”. “Sua missão é respei­tar a Constituição, defender a democracia, honrar seu país e dignificar seu cargo”.

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