Depois de cinco dias de intenso e proveitoso trabalho na Ale­manha, passei o fim de semana em Copenhagen para reencontrar minha filha e minhas netas e genro dinamarqueses. Tive sorte de aproveitar o segundo dia de sol pleno e calor da atual prima­vera, o que levou a população às ruas, às praças para manifestar sua alegria pela temperatura. Apesar do seu inclemente clima, o dinamarquês é um povo alegre e comunicativo.

A Península Escandinava, no norte da Europa, era total­mente coberta de gelo até que, há 12.000 anos, com o fim da última Era Glacial, começou lentamente a se aquecer, fazendo surgir pequenos rios e uma vegetação incipiente – a tundra. Isso atraiu uma pequena fauna e, atrás dela, caçadores nô­mades que aproveitavam o pequeno verão para suas caçadas. Com o degelo, vieram pequenas florestas e novos caçadores, marcando a presença humana neste pedaço europeu, bem como ocorreu movimento dos mares, que partiu o território nas várias ilhas que hoje compõem a Dinamarca.

No século VIII da era cristã, as várias aldeias existentes se uniram num só reino, que persiste até hoje, sendo o mais antigo do mundo.A atual Rainha da Dinamarca descende do primeiro rei.Neste mesmo período e até o século XI, os vikings dinamarqueses, guerreiros, comerciantes e excelente navegadores, assustaram o mundo europeu com incursões de pirataria. Tomaram grande parte da Inglaterra, sitiaram Paris, assolaram a Espanha e chegaram até Bagdá, capital do Império Islâmico.

Saqueavam os ricos mosteiros católicos e matavam seus habitantes. Com seus barcos, dominaram a Islândia, a Groen­lândia, tendo sido os primeiros a chegar à América. A sanha destruidora foi pouco a pouco arrefecendo e começaram a ser fazendeiros. A chegada do cristianismo marca o fim das aventuras vikings, tornando-se a Dinamarca um reino cristão.

Em 1536, chegaram as ideias revolucionárias e reformistas de Lutero. Mas, por longo período houve a convivências das duas correntes, com as mesmas igrejas abrindo suas portas para, em horários diferentes, oferecer cultos da duas religiões. Isto perdu­rou até que o Luteranismo tornou-se religião oficial do Reino, que perdura até hoje. Os sacerdotes recebem salário do Estado.

Em 1814, os dinamarqueses decidiram que o ensino de­veria ser universal e obrigatório a todas as crianças do Reino e trinta e cinco anos depois criaram uma monarquia consti­tucional, com separação dos três poderes, reconhecimento da igualdade de seus cidadãos e liberdade de imprensa. Em 1915, as mulheres conseguiram o direito ao voto.

Ideias socialistas mescladas com democracia deram origem ao estado de bem estar social que caracteriza a Dinamarca de hoje. Com uma renda per capita de US$ 52.500 (a do Brasil é de US$ 13.600) os dinamarqueses são um dos povos mais ricos do mundo. Como recebem tudo do Estado – nascem, estudam, tem assistência médica, boa aposentadoria- não reclamam em pagar altas alíquotas de imposto (entre 50% e 75% dos rendimentos). São consumistas e tem um alto nível de vida.

Copenhagen reflete tudo isto. Limpa, organizada, cheia de pessoas e de vida, com lojas modernas de grife, ótimos restaurantes (seu NoMa é sempre considerado na lista dos melhores restaurantes do mundo), teatros, museus e seu Parque Tívoli, seus hotéis internacionais e seus canais cheios de barcos, seus prédios históricos na arquitetura clássica dinamarquesa ao lado de modernos edifícios de vidro, sua segurança, tudo colabora para fazer da estada na cidade um evento memorável.

Lógico, embalada pela alegria de rever e abraçar a família, sabendo que naquela parte norte da Europa batem calorosos corações brasileiros!

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