Domingo tem ‘Festival Ojo Aiku’ no Orunmilá

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VINICIUS BARROS

Neste domingo (17), em co­memoração ao Dia Nacional da Consciência Negra, oficialmente celebrado na próxima quarta­-feira, 20 de novembro, o Centro Cultural Orunmilá vai promover o tradicional “Festival Ojo Aiku – Zumbi dos Palmares”, em sua sede, na rua Rafael Defina nº 43, no Parque Industrial Tanquinho, na Zona Norte de Ribeirão Preto.

O evento terá início ás 15 ho­ras, com entrada gratuita e livre para o público. A programação prevê uma série de atividades como palestras, bate-papo, conta­ção de histórias, música ao som de DJ, hip-hop, capoeira, maracatu, afoxé, sarau, samba, exposição de arte negra, dança afro, percussão, reggae e muito mais.

Fundado em março de 1994, em Ribeirão Preto, no bairro do Tanquinho, o Centro Cultural Orunmilá é uma entidade sem fins econômicos que tem como função primordial a elevação da condição humana mediante a promoção da cidadania, da bus­ca dos elementos da identidade sociocultural, da reconquista da dignidade e da auto-estima parti­cularmente da população negra.

Procura questionar e oferecer novos elementos para contribuir com a superação de um processo de educação de caráter conserva­dor e elitista que predominou no Brasil, sem questionamentos, du­rante muitos anos. Reúne diferen­tes formas de troca, aquisição de conhecimentos que formam um conjunto de atividades e oficinas culturais gratuitas: dança afro-yo­rubana, percussão, samba rock, capoeira, hip hop, construção de tambores, inclusão digital, bibliote­ca temática, culinária africana, ciclo de palestras, entre outras coisas.

Umas das manifestações culturais que mais se destaca é o Afoxé Omó Orunmilá, que faz a abertura do carnaval de rua de Ri­beirão Preto desde 1996. O Cen­tro Cultural Orunmilá – que na língua yorubá significa “Somente o céu conhece seu destino” – foi reconhecido como Ponto de Cul­tura selecionado pelo Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura, em 2010. Nos últimos 20 anos se tornou referência nacional no combate ao racismo e a discri­minação racial.

O Dia Nacional da Consci­ência Negra é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na so­ciedade brasileira e foi escolhida por coincidir com o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares (1655-1695), um dos maiores lí­deres negros do Brasil que lutou pela libertação do povo contra o sistema escravista. Desde 1997, ele faz parte do Livro dos Heróis da Pátria, no Panteão da Pátria e da Liberdade. Símbolo da resistência negra no Brasil, foi morto em uma emboscada pelas tropas coloniais brasileiras, no ano de 1695, após sucessivos ataques ao Quilombo de Palmares. Zumbi teve sua ca­beça exibida em praça pública.

O Quilombo dos Palmares, o mais famoso pela resistência e organização em diferentes al­deias interligadas e considerado o maior quilombo territorial e temporal do Brasil, ficava na Serra da Barriga, no atual município de União dos Palmares, em Alagoas. A comunidade quilombola durou cerca de 100 anos. Em seu auge, chegou a abrigar de 25 mil a 30 mil negros.

O Dia da Consciência Negra é considerado importante no re­conhecimento dos descendentes africanos e da construção da so­ciedade brasileira. A data, dentre outras coisas, sucinta questões so­bre racismo, discriminação, igual­dade social, inclusão de negros na sociedade e a cultura afro-brasi­leira, assim como a promoção de fóruns, debates e outras atividades que valorizam a cultura africana.

Em Ribeirão Preto, a data dei­xou de ser feriado em 2016. No final de 2015, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP) considerou ilegal a lei municipal 10.057 de 2004. O processo teve início com uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual (MPE), a partir de uma represen­tação do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

O MPE questionou a insti­tuição da lei municipal por violar a federal nº 9.093/95. De acordo com o artigo 2º desta lei, são feria­dos religiosos os dias de guarda, declarados em leis do município, de acordo com a tradição local e em número não superior a qua­tro, nesta incluída a Sexta-Feira da Paixão. A prefeitura chegou a recorrer da decisão junto ao Supe­rior Tribunal Federal (STF), mas não obteve sucesso no pedido.

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