Faz um mês que não escrevo, tô meia-boca ainda. O corona­vírus me colocou fora de combate. Na minha forma inocente de pensar, achava que por essa iria passar numa boa, me cobria de cuidados, quase não saía de casa, álcool 70 pra tudo que é lado. Faz um ano que, por precaução, tomo mensalmente ivermectina, vitaminas, zinco e tudo mais, além de banhos de sol… Enfim, não dava mole pro vírus.

Estou com 73 anos e, segundo estudos, é uma idade de risco. Somando-se a isso, tenho problemas que a maioria das pessoas desta minha faixa tem, a diabete me sonda, tenho pressão arte­rial controlada, um pouco além do peso… Tudo isso me colocava na linha de tiro da covid-19. Precisava me cuidar mais ainda, até porque meu irmão Rubão, quatro anos mais novo que eu, se mandou dia 6 de novembro passado.

Ruth, minha irmã, dois anos mais velha do que eu, se foi faz dois meses e Romilda, minha irmã caçula, se recupera em casa depois de ficar um mês intubada. Tinha jurado não tomar essa tal de Coronavac, principalmente depois de ver na TV que as duas doses nos assegurava pouco mais de 50%. Mas um amigo disse: “Buenão, eu vou tomar, pelo menos ficarei protegido pela metade, o que é melhor do que nada”.

Chegou o dia da minha idade vacinar, fui na esperança de ser imunizado por qualquer outra vacina, menos a tal de Coronavac, mas pra minha decepção era a dita cuja. Tomei a primeira dose e um mês depois, a segunda. Tava levando a vida, quando 22 dias depois da segunda dose, comecei a sentir o nariz escorrer e uma tosse seca, nada mais que isso.

Não tinha febre, meu paladar estava beleza, nem me passava pela cabeça estar com covid-19. Resolvi ir ao Hospital Ribeirânia, o mé­dico receitou dipirona e outras mumunhas para que eu tomasse até o resultado do exame ficar pronto dali cinco dias. Eu e minha esposa argumentamos que queríamos a medicação do tratamento precoce, ele disse que o hospital não fazia uso deste procedimento.

Sai dali inconformado e pensando que depois de cinco dias poderia ser tarde demais, até porque meu irmão estava bem num dia, no outro já estava intubado! Fomos direto fazer exame num laboratório que, uma hora depois, confirmava: eu estava contaminado. Fomos para o Hospital São Francisco, o médico de imediato encaminhou-me para o raio-X e os pulmões estavam comprometidos em 25%.

Fizemos tomografia, ele queria me internar, disse que não e que em casa faria o tratamento rigoroso. Solicitei a receita do tratamento precoce e ele passou-me ivermectina, cloroquina, azitromicina, colchicina e assim me salvei. O farmacêutico ao ver a receita disse: “dentro de dois dias seus pulmões estarão limpi­nhos”. Não deu outra, sentia na respiração que o ar que antes eu puxava e não vinha havia voltado, foi maravilhoso.

Consultamos um médico pneumologista que concordou com meus medicamentos, apenas trocou fortes comprimidos por uma injeção e tudo deu certo. Amigos queridos, quando souberam, pediam meu nome todo para colocar em grupos de orações. São de várias religiões, eles foram uma benção, anjos enviados por Deus. As orações têm um poder que só quem recebe pode avaliar, agradeço a eles com todo amor de meu coração.

Está fazendo mais de 30 dias que estou curado, mas o que passei não foi fácil, perdi oito quilos, fiquei isolado na sala e pra ir ao ba­nheiro caminhava dez metros, sentia um certo desequilíbrio. Romilda, minha irmã havia levado dois tombos caminhando dentro de casa. O médico dela disse que na sua perda de peso perdeu também a bunda, e é ela que dá equilíbrio ao corpo. Não sabia dessa, fui olhar no espelho e vi que minha bunda tinha ido pro vinagre, sumiu (heheheeh). Daí fiquei matutando, aí está a razão do meu desiquilíbrio.

Sexta conto mais.