Não é surpresa que a educação brasileira esteja em situação de penúria. Já estivemos em patamares melhores. Isso quando a Pátria não estava imersa nesse imenso lodaçal que é a falta de ética, de moral, a subverter a política partidária e a desaguar numa crise crônica – o que é uma contradição em termos, pois crise é passageira – que afeta economia e finanças.

Quando os valores se esvaem, não há como fazer com que a educação cumpra com a tríplice finalidade que o constituinte elegeu para ela: formar seres humanos integrais, qualificar para o trabalho, capacitar para o exercício da cidadania.

A descrença na Democracia Representativa é um fator de frus­trante desalento. Quem é que se sente representado? Quem é que tem absoluta confiança nos representantes?

A educação pública sempre foi tratada como um custo excessivo, com suas verbas “carimbadas”, não como investimento em pessoas. Por isso, mesmo que a quantia destinada ao ensino seja crescente, o fermento da confiança, do entusiasmo, da certeza de que esse o caminho para a redenção de todo ser humano de suas naturais limitações, não entra como ingrediente imprescindível.

Os profissionais da educação merecem tratamento de antagonis­tas. Não são considerados parceiros. Docentes desestimulados, des­respeitados e mal remunerados não conseguem “dar o sangue”, nem assumir o papel que se espera, no Século XXI, para um verdadeiro professor. Aquele que estimula a curiosidade do educando. Pois o conhecimento está todo disponível, nunca foi tão acessível, e se o jovem receber incentivo e orientação, dele fará o melhor proveito.

É milagre que existam escolas proficientes e alunos felizes, contrariando a sensação geral de que tudo é desastre. Algumas causas explicam o sucesso. Primeiro, a vocação da diretora ou do diretor vocacionado. Quando verdadeiramente apóstolos, utilizam da lei sociológica de “pássaros de igual plumagem” para formar equipes coesas, empenhadas e convencidas de que a educação amorável faz toda a diferença.

Segundo: quando o Prefeito é um estadista, que enxerga a educação como ela deve ser concebida, ele imprime tal idealismo a toda a sua equipe. Educação é projeto de longo prazo, não uma ação pensada com vistas à próxima eleição.

Prefeitos que vão às escolas, que conversam com os alunos, com as equipes profissionais e com os pais, são aqueles cujos municípios ostentam o brilho que todos os demais poderiam exibir.

Infelizmente, a educação não tem merecido do Poder Público o respeito que ela merece. Governantes há que que­rem resultado, guiam-se pela mídia espontânea e, incapazes de encarar a floresta, não se impressionam com a árvore, mas com a manchinha num dos galhos menores dos ramos frondo­sos dessa vegetação. Ou seja: querem remover as críticas, por menores que sejam, sem atacar as causas.

As causas da deficiência escolar podem ser múltiplas, a partir do enfoque a ser feito. Mas se reduzem a um núcleo comum de evidên­cia meridiana: educação é direito de todos, mas é dever indeclinável do Estado, da família e da sociedade.

Um Estado sob suspeita, uma família desarticulada, uma sociedade que vai perdendo os valores, não consegue enxergar que o educar é um ato de amor. Se ele está presente, são sanadas todas as demais máculas. Mas o Brasil tem se notabilizado por muitas teorias, muitas diagnoses, muita elaboração de rankings, muita con­sultoria. Mas muito pouco carinho. E carinho custa tão pouco!

Que a Providência nos reserve governos atentos, empenhados, devotados e amorosos para com a educação. A criança, o jovem, os professores e demais parceiros farão o restante!

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