J.FPIMENTA

Em seu primeiro mandato completo – como suplente ocupou o cargo de vereador por curtos períodos na legis­latura passada -, Elizeu Rocha (PP) ganhou destaque na mídia no ano passado ao propor emenda à Lei Orgânica do Município. O objeto era possibilitar que empresas de transporte de valores com unidades em Ribeirão Preto ficassem restritas a áreas industriais. Isso, na avaliação dele, iria garantir a segurança da população em caso de tentativas de roubos. A população assistiu, assustada, nos últimos anos, dois assaltos onde foram usadas armas de guerra que deixaram mortes e um rastro de destrui­ção e pânico.

Apesar de ter retirado o projeto da pauta de votação pela Câmara, após criticas e até xingamentos que rece­beu dos profissionais do setor, Elizeu Rocha diz que não desistiu e afirma: “Vamos seguir em frente e mostrar para a sociedade que o que queremos é salvar vidas, não es­tou preocupado com o dinheiro, me preocupo é com as vidas”. Em entrevista ao Tribuna o parlamentar afirmou também que, nas eleições municipais, pediu voto para o então candidato Duarte Nogueira (PSDB) e, portanto, o coerente agora é defendê-lo como prefeito.

Tribuna – O senhor é considera­do um político muito aliado ao prefeito Duarte Nogueira. Isso é verdade?
Elizeu Rocha – Meu partido e eu, enquanto candidato a vereador, saímos na chapa coligados com o prefeito Duarte Nogueira. Tenho por costume em minha vida manter a fidelidade. E foi isso que aconteceu. Se indicamos para nossos eleitores que o Nogueira era a melhor opção, então eu tenho a obrigação de colaborar para que o prefeito faça realmente uma boa gestão.


Tribuna – Que avaliação faz da atual administração?
Elizeu Rocha – A atual adminis­tração se encontra num momento difícil, nosso país todo está. Diante da situação crítica em que pegamos a cidade, tendo que se recuperar praticamente em todos os setores, educação, saúde, zeladoria, serviços, acredito que a administração tem se empenhado diante de tudo que estamos vendo acontecer.

Tribuna – Em sua avaliação no que o governo errou e no que ele acertou?
Elizeu Rocha – O governo errou na falta de comunicação com o Le­gislativo, mas já se redimiu disso. O governo acertou na negociação de dívidas, dando fôlego para os fornecedores, acertou em nego­ciação, pagando em dia, para que essas pessoas pudessem voltar a prestar serviços para o poder público. Acertou na distribuição de medicamentos, que pegou (a prefeitura) faltando 68 medica­mentos na rede pública e hoje não falta mais nenhum. Isso foi um grande acerto porque saúde é primordial. Acertou também em implantar os laboratórios de aná­lises clínicas na UPA, nas UBDS, na Central, Quintino Facci e Vila Virgínia, uma vez que os pacientes demoravam até dois dias para ter o resultado de exames, isso atrasava o diagnóstico, o trata­mento da doença e muitas vezes perdendo vidas.

Tribuna – Como o senhor clas­sifica a atual Câmara Municipal no que diz respeito à atuação parlamentar?
Elizeu Rocha – Os nossos eleitores optaram pela renovação. A atual legislatura é boa, mas eu acredito que precisamos de mais serviços, de mais leis que tragam benefí­cios para a cidade e sem popu­lismo, que é coisa do passado. Tenho que fazer projetos pensan­do no município, na população, no bem que vai trazer inclusive no futuro, como foi o caso do projeto do IPM; mudando o sistema de previdência que nós vamos salvar Ribeirão Preto de um colapso, mas só daqui a 20 anos. Mas se isso tivesse sido pensado no passado, não estaríamos nessa situação.

Tribuna – Como membro do grupo minoritário do legislativo, que difi­culdades o senhor tem encontra­do para realizar seu trabalho?
Elizeu Rocha – Não me sinto membro de um grupo minoritário. Sinto que sou membro de uma Câmara vencedora, porque eu nunca tive nenhum problema com o Legislativo. Todos os meus projetos foram aprovados pelos meus pares. Tenho bom relacio­namento de amizade e respeito com todos os outros vereadores, que quando veem que o projeto é para o bem de nossa cidade, apoiam. Só tenho que agradecer porque sozinho não vou a lugar nenhum, um depende do outro. É isso que temos feito.

Tribuna – O senhor foi alvo de muitas criticas dos profissionais do setor de transporte de valores quando propôs a retirada destas empresas de regiões residenciais da cidade. Como está este projeto e por que ele não foi votado?
Elizeu Rocha – Não desisti dele, quem me conhece sabe: defendo que as empresas de guarda e transporte de valores não sejam instaladas em bairros residen­ciais. Apresentei uma ideia para que sejam instaladas em bairros industriais, numa área de segu­rança, onde tenham interligação direta com a Polícia Militar, Polícia Civil, e toda a área de seguran­ça. Vamos seguir em frente e mostrar para a sociedade que o que queremos é salvar vidas. Não estou preocupado com o dinheiro, me preocupo é com as vidas. Essas empresas precisam ter os seus devidos lugares, e é isso que estamos propondo nesta Emenda e tenho certeza que os demais ve­readores vão entender a situação. É uma questão de bom senso.


Tribuna – Quais são os seus pro­jetos que o senhor considera mais relevantes para a população?
Elizeu Rocha – Até hoje nós apre­sentamos 31 projetos de atividade fiscalizatória que considero um número bem expressivo. Claro que considero todos importantes, mas acho que podemos dar destaque aos de maior impacto no dia a dia da população. Entre eles tivemos o que obriga o Daerp a ressarcir os clientes quando houver dupli­cidade do pagamento da conta. Aprovamos também o que obriga a Prefeitura informar sobre os motivos de eventual interrupção e paralisação de obras públicas no município, pois a população merece e tem o direito de saber. Em relação à transparência apro­vamos o que dispõe como postura municipal a filmagem, gravação e transmissão ao vivo pela internet, inclusive redes sociais, todas as sessões públicas presenciais rea­lizadas em todas as modalidades de licitação em Ribeirão. Entre os mais recentes destaco o que altera uma lei municipal e per­mite maior fiscalização, inclusive com multas mais severas com relação aos criadouros do Aedes Aegypti porque a cidade vive um risco eminente de epidemia e grande parte dos focos está den­tro das residências. Acredito ainda que vale destacar a luta junto ao Daerp para que as contas tenham o nome dos usuários.


Tribuna – O senhor foi um dos políticos que em 2016 defendeu a redução de assessores por gabinete. Antes havia dez e hoje o número está limitado a cinco. Nos bastidores da Câmara fala-se em diminuir este número para quatro. O senhor é favorável a esta ideia?
Elizeu Rocha – Sou contra. Você perde a qualidade de atendimento da população. É preciso ter uma boa equipe porque sozinho não é possível estar em todos os bairros e em todas as regiões. Quando assumimos, no final de 2016, propusemos que o número fosse diminuído de 11 para cinco e fomos vitoriosos. Uma coisa é certa: a ligação do Executivo com o munícipe é feita pelo vereador, então você precisa de uma boa assessoria para que esteja junto do vereador. Quem necessita e precisa dos serviços públicos, muitas vezes não consegue che­gar até o prefeito, ou até mesmo nos secretários.


Tribuna – O senhor é favorável à redução no número de vereadores para 22 na próxima legislatura?
Elizeu Rocha – Sou a favor do respeito às leis e, por isso, sou um legislador hoje. Se a lei diz que em Ribeirão Preto serão 22 vereadores a partir de 2021, temos a obrigação de respeitar. Tudo que estão falando hoje é po­pulismo, é balela, é para enganar a população. O que existe é uma decisão judicial que determina que Ribeirão vá ter 22 vereadores. Assim, vou respeitar a lei, como sempre fiz.

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