Empresas terão crédito para folha de pagamento

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MARCOS CORRÊA/PR

O governo federal anun­ciou nesta sexta-feira, 27 de março, uma linha de crédito emergencial para ajudar pe­quenas e médias empresas a quitarem a folha de paga­mentos. O setor está entre os mais afetados pela crise gerada pela pandemia de co­vid-19. A estimativa é de libe­ração de R$ 40 bilhões.

O anúncio foi feito em en­trevista coletiva, no Palácio do Planalto, com a presença de Jair Bolsonaro. Segundo o pre­sidente, além da preocupação com a disseminação do coro­navírus e os efeitos da doença, é preciso garantir empregos para a população. “Devemos diminuir a altura dessas duas ondas [da infecção e do de­semprego]”, disse.

A medida deve benefi­ciar 1,4 milhão de empresas, atingindo 12,2 milhões de trabalhadores. O crédito será destinado a empresas com fa­turamento anual entre R$ 360 mil a R$ 10 milhões e vai fi­nanciar dois meses da folha de pagamento, com volume de R$ 20 bilhões por mês.

Segundo o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, a medida será operacionalizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com os bancos privados. O limite de financia­mento é de dois salários míni­mos. Ou seja, se o trabalhador ganha mais de dois salários mínimos, a empresa terá que complementar o salário.

Ao contratar o crédito, a empresa assume o compro­misso de que não demitir o funcionário nesse período de dois meses. A taxa de juros será de 3,75% ao ano (atual taxa Selic). Do total a ser libe­rado por mês (R$ 20 bilhões), R$ 17 bilhões serão recursos do Tesouro Nacional e R$ 3 bilhões dos bancos privados. Serão seis meses de carência e 36 meses para o pagamento.

O custo de demissão para as empresas é equivalente a três ou quatro meses de salário. O presidente da Caixa Econô­mica Federal, Pedro Guima­rães, também ressaltou que o banco já emprestou R$ 20 bilhões aos clientes para en­frentar a crise provocada pelo coronavírus. No total, a instituição já injetou R$ 111 bilhões em recursos e vai operacionalizar o pagamento do auxílio emergencial de três meses, no valor de R$ 600, des­tinado aos trabalhadores autô­nomos, informais e sem renda fixa durante a crise provocada pela pandemia de coronavírus.