Jornal Tribuna Ribeirão

Equinócios e solstícios

Como faz desde o começo dos tempos, a primavera chega ao nosso hemisfério no dia 22 ou 23 de setembro, conforme Calendá­rio Gregoriano, que seguimos. Neste ano, será no dia 22, às 16:21hs. Tempo das flores e dos frutos, liberta-nos do inverno e mostra uma Terra florida e acolhedora. Há 12 mil anos , quando o Homem percebeu que poderia cultivar os grãos, que buscava em suas coletas, iniciando o processo de fixação da humanidade, ele já sabia que havia diferenças entre os tempos, que a plantação poderia e deveria ser feita em certos períodos, mas não tinha conhecimento suficiente para entender as estações do ano.

A mitologia grega está cheia de narrativas envolvendo Deméter, a deusa da Agricultura, e sua filha Perséfone, a deusa das Flores, com prisões e libertações,em uma ideia primitiva das estações do ano. Mas, só no sexto século antes de Cristo, Pitágoras apresentou a ideia destas estações, ligando-as às fases da vida dos homens: infância, juventude, maturidade e velhice. Há 5.000 anos antes da Era Cristã, o monumento de Stonehenge, na Inglaterra, mostrava o início do verão no Hemisfério Norte ( 21 de junho ), quando um raio de sol nas­cente incidia sobre o centro da pedra principal da construção.

Os romanos, ao denominarem as estações do ano, usaram ideias e conceitos indicativos de seus nomes: Primo Veris, primavera, princípio de bom tempo. Veris, verão, o bom tempo, cheio de luz e calor. Autumnus, outono, tempo do ocaso, está chegando a hora da mais árdua estação. E Hibernus, inverno, tempo de hibernar, perma­necer em casa, defender-se do frio.

Mas, como foram determinadas as datas iniciais das estações? Também desde os primórdios, o Homem cogitava sobre sua relação com o planeta , ao mesmo tempo que elevava os olhos para o vasto e desconhecido Universo, representado pelas milhares de estrelas, que surgiam na noite escura. A civilização ocidental pregava que a Terra era o centro de tudo e que o Sol e as estrelas giravam ao seu redor.

No século XV, o matemático polonês Nicolau Copérnico, que também era sacerdote, político, médico e jurista, lançou a sua revolucionária teoria de que era a Terra que girava ao redor do Sol, criando o heliocentrismo (hélio é sol, em grego). Galileu Galilei, notável polímata, no século seguinte, apoiava sua teoria, embora perseguido e punido pela Igreja Católica. Assim, começaram os estudos, que levaram a descoberta dos movimentos de rotação e translação da Terra.

Desde os primeiros bancos escolares, sabemos que a Terra gira em torno de seu eixo em aproximadamente 24 horas (rotação) e em redor do Sol, em aproximadamente 365 dias (translação). Neste passeio anual, a Terra inclina-se sobre o seu eixo, fazendo com que a incidência dos raios solares a atinja de maneira diferente, a cada três meses. Temos então as estações do ano, que são diferentes, depen­dendo do Hemisfério onde estejamos. Para determinar o dia exato em que se iniciam as estações, criou-se o conceito dos equinócios e dos solstícios.

Quando a Terra se encontra em posição tal, que os raios solares incidem sobre o Equador, temos os equinócios: ou seja, a duração do dia e da noite é igual. No nosso Hemisfério, isto ocorre em 22 ou 23 de setembro, dependendo do ano (equinócio da primavera) e em 21 de março (equinócio de outono).

Quando a Terra está na sua posição inclinada máxima e recebe os raios solares mais perto ou mais longe, temos os solstícios. Em 21 de dezembro, o solstício de verão, (o dia dura mais do que a noite) e no dia 21 de junho, o solstício de inverno, (a noite dura mais do que o dia ).
Antigamente, os povos comemoravam estas datas, com grandes festas. No nosso mundo moderno, elas passam despercebidas, em­bora nosso relógio biológico registre a mudança das estações.

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