Equipe de vôlei pode deixar Ribeirão Preto

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JF PIMENTA/ ARQUIVO TRIBUNA

Na cidade desde 2017, o Vôlei Ribeirão – São Francisco Saúde e Secretaria Municipal de Esporte (SME) –, campeão da Superliga B e integrante da primeira e mais importante divisão do voleibol nacional, atingiu rapidamente resultados expressivos: o título, o acesso, a participação numa compe­tição de grande nível como a Superliga A. Tudo isso, porém, parece não ser suficiente para manter a equipe na cidade de Ribeirão Preto.

O Tribuna teve acesso a in­formações de que o presiden­te da equipe ribeirão-pretana, Luiz Felipe Fonteles, o Lipe, ponteiro e campeão olímpico no Rio de Janeiro, em 2016, estaria em negociações com outras cidades em busca de patrocinadores que queiram o projeto dentro de suas re­giões. O motivo da possível mudança seria a falta de in­vestimentos no projeto.

Segundo publicação fei­ta pelo site da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), no início de junho, o jogador, campeão olímpico em 2016 e presidente do Vôlei Ribeirão, participou de uma reunião com o mandatário da Ocepar, José Roberto Ricken, a fim de manifestar seu inte­resse em levar sua equipe para Curitiba (PR). Lipe nasceu na capital paranaense.

Na publicação, é citado que Lipe apresentou um pro­jeto ousado de construção de uma arena multiuso em solo curitibano, que contaria com o apoio da prefeitura da cida­de. Ainda segundo a matéria publicada no dia 11 de junho, o campeão olímpico sugeriu que a transferência deveria ocorrer na disputa da pri­meira divisão nacional e que, inicialmente, até que a arena fique pronta, o time mandaria os seus jogos no Circuito Mili­tar, em Curitiba.

Marcos Pacheco diz estar surpreso com possível mudança

“Inicialmente a sede do time poderia ser o Círculo Mi­litar, em Curitiba, até que a arena fique pronta num pra­zo de dois anos”, disse Lipe Fonteles ao site da Ocepar. O jogador ainda citou como o time poderia ajudar na pro­jeção nacional dos investi­dores. “Tenho acompanhado o crescimento do setor coo­perativista e seus produtos e poderíamos contribuir com a equipe de voleibol, numa pro­jeção ainda maior, nacional­mente”, afirmou ao site.

Atualmente, a equipe ri­beirão-pretana se encontra em dificuldades, tendo como pa­trocinador apenas o grupo São Francisco Saúde, que está com a equipe desde a sua fundação – recentemente foi vendido ao Sistema Hapvida por R$ 5 bi­lhões. Procurado pelo Tribuna, Lipe Fonteles afirmou que o time segue em Ribeirão Preto durante a próxima temporada. Entretanto, o mandatário reite­rou que se o projeto não conse­guir outros parceiros, as chan­ces de mudança são grandes.

“Se Ribeirão Preto não conseguir patrocinador para manter um projeto de alto rendimento é normal que esse projeto termine. Essa tempo­rada continua, mas esperan­do que mais patrocinadores apareçam. Se não, é provável que o time acabe por falta de recursos”, revelou Lipe Fon­teles. Apesar dos resultados expressivos dentro de quadra, os investimentos na equipe continuam reduzidos. O presi­dente do “Cavalo Ace” criticou a baixa quantidade de recursos que o time recebe e aproveitou para fazer um apelo aos em­presários da cidade.

“Infelizmente, em dois anos de projeto, ainda sofre­mos com um orçamento mui­to reduzido para uma equipe de voleibol que disputa a elite do campeonato nacional. Faço um apelo aos empresários da cidade para que não deixem que o esporte que a cidade tan­to ama acabe”, disse. Técnico do Vôlei Ribeirão, Marcos Pa­checo afirma que houve espe­culações anteriores em relação à saída do time da cidade, mas que todos os rumores foram negados pelo presidente.

Lipe Fonteles com o presidente da Ocepar, José Roberto Ricken, em junho deste ano: sem patrocínio, “Cavalo Ace” pode mudar de cidade (Foto: SITE SISTEMA OCEPAR)

O treinador também afir­mou que não tem ciência de uma possível mudança de lo­calidade. “Já ocorreu esse ano de pessoas me perguntarem se o time iria para Santos (SP), Florianópolis (SC) e até outra cidade e isso foi negado pelo Lipe. Eu não estou sabendo de nada, se existe esse interesse, essa situação, pra mim é uma grande surpresa. Temos um único patrocinador e ele é da cidade, uma mudança agora seria uma grande surpresa pra mim”, revelou Pacheco.

Atualmente, o Vôlei Ribei­rão não conta com nenhum jogador no plantel. Todo o elenco foi dispensado ao tér­mino da disputada da Super­liga A. Mesmo sem ter joga­dores contratados, o estafe da equipe garante que o time vai disputar o Campeonato Pau­lista, que começa no mês de agosto, mas ainda sem data definida. Sem investimentos, porém, como alerta o próprio presidente, o “Cavalo Ace” pode mudar de cidade em me­ados de 2020. O Vôlei Ribeirão manda seus jogos no Ginásio Gavino Virdes, a Cava do Bos­que, sempre com grande pú­blico, cerca de 3.500 pessoas.

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