Falando como leigo, mas cidadão, fico preocupadíssimo quando constato que o gasto com a educação brasileira é maior do que aquele de economias semelhantes e nossos resultados em provas internacionais de aferição de conhecimento colo­cam o Brasil nos últimos lugares. Se gastamos mais e colhemos menos, a conclusão é a de que nosso ensino é ruim.

Não é preciso ser educador para se chegar a este diagnósti­co. A educação, desde muitos anos, não merece do Governo e de todos nós a atenção devida.

Olhando a nossa história, parece que as elites sempre quiseram manter o povo na marginalidade e não dar uma educação competente é a forma mais eficaz de seu controle. (faço esta constatação como um observador de nossa realida­de, sem viés político ou partidário).

Quando o Brasil comemorou 100 anos da Independência, em 1922, nossa taxa de analfabetismo ainda era de 80%. Sim, 80%. Hoje, ainda temos 8% de analfabetos e uma quantidade enorme de jovens que saem do primário sem saber ler e inter­pretar corretamente o texto e não conseguem fazer operações simples de matemática. Somente 20% da população têm curso superior e 60% dos que trabalham ganham salário mínimo.

Como pretendemos nos tornar uma nação desenvolvida com uma realidade desta? Nos últimos trinta anos nossa produtividade cresceu marginalmente. Num mundo globali­zado, de indústria 4.0, de conectividade internacional, se não prepararmos nossos jovens seremos condenados a ser um país de segunda classe.

O segredo de nações como a Coreia do Norte,que há cin­quenta anos tinha números piores do os nossos, foi o inves­timento na educação. Portanto, investir numa educação de qualidade é condição indispensável para que o Brasil conti­nue crescendo e a Educação deve ser o mais importante setor do governo. É verdade que assuntos econômicos requerem medidas urgentes, mas sem um plano educacional de curto, médio e de longo prazos não iremos a lugar nenhum.

Até agora, não vimos planos do Governo para redirecio­nar a educação no Brasil.

A sociedade civil precisa se movimentar para exigir que o Governo se movimente. Quadros técnicos e competentes – e não pessoas ideologicamente direcionadas – são indispensá­veis. Enquanto o Ministério da Educação coordena as ações macro, cada um de nós pode fazer sua parte micro, partici­pando da escola de seus filhos e netos.

Quantas vezes o casal esteve nos eventos da Associação de Pais e Mestres ou foi a escola reclamar ou oferecer sugestões? Conversamos com nossos filhos e netos sobre sua satisfação com a escola que frequentam? Sabemos que faltam recursos na atual conjuntura: será que não podemos fazer algo para melhorar o aspecto físico de nossas escolas?

Nos Estados Unidos, desde muito tempo, quem faz o cur­rículo e fiscaliza a escola é um conselho de pais, moradores de uma região. Este conselho trabalha pela qualidade do ensino e o constante aprimoramento dos professores. Nos países de educação evoluída a participação dos pais é fundamental.

Sei que ainda não temos maturidade para replicar aqui o que existe lá. Mas, se cada pai/mãe abraçar a participação na escola como prioridade na preparação de seus filhos, começa­remos a melhorar – e muito – a nossa educação.

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