Estocolmo

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Com o final da Era do Gelo, o território hoje compreendi­do pela Escandinávia começou a ser habitado por caçadores e coletores, os norsemen ou homens do norte, como passaram a ser denominados. Entre os séculos VIII e X, ficaram conhe­cidos como vikings e famosos por seus saques a monastérios, igrejas e palácios, espalhando o terror por todo o território europeu. Singraram os mares com seus barcos revolucio­nários e espalharam cidades por toda parte. Cristianizados, abandonaram as pilhagens e tornaram-se fazendeiros. Depois de muitas lutas, anexações e alianças, chegaram aos três rei­nos que constituem atualmente a Escandinávia: Dinamarca, Suécia e Noruega, todas elas monarquias constitucionais.

A Suécia é maior nação escandinava, pela sua população e por sua economia e Estocolmo, sua capital, é cidade de uma beleza estonteante e única, cheia de canais de água límpida, cortados por pontes e singrados por embarcações, com várias atrações culturais e artísticas, que fazem dela uma das mais belas capitais europeias. Apesar de uma temperatura baixa, mesmo no verão, passear por suas ruas, avenidas e pontes, frequentar seus cafés à beira dos canais é uma experiência única. O notável Museu Vasa e a Cidade Antiga são os pontos altos da cidade.

No século XVII, o rei Gustavo Adolfo II, desejando con­solidar a supremacia da nação no conflito contra a Polônia, determinou a construção de um navio de guerra que fosse o maior e mais poderoso até então feito. Surgiu o Vasa, com seus 64 canhões, que, entretanto naufragou no dia em que foi lançado ao mar, depois de navegar por cerca de dois quilôme­tros na baia de Estocolmo. O navio ficou submerso por 333 anos, protegido pela água fria e pelas algas do Báltico. Em 1961, depois de insanos trabalhos de recuperação, o navio emergiuc om toda sua majestade, conservando 98% de seus materiais originais.

Hoje, repousa imponente no Museu Vasa, uma impressio­nante estrutura alta que o envolve, deixando de fora somente o topo do mastro, com a bandeira sueca tremulante ao vento. De três mezaninos internos, localizados nos lados da estru­tura,tem-se uma vista fantástica da embarcação e há várias exibições sobre a história do navio, a Marinha Sueca, bem como réplicas das esculturas que o decoravam. Uma sensação de grandeza e de homenagem ao gênio humano acompanha a visita, 25 milhões de pessoas por ano ocorriam ao museu antes da pandemia e é um programa obrigatório.

A outra grande atração é a Cidade Velha, GamlaStan, construída no século XVII, na ilha de Stadsholmen e ligada ao continente por várias pontes. Abriga o Palácio Real, onde mora a rainha sueco-brasileira;a imponente Catedral da cidade, a Academia Sueca e seu Museu Nobel, onde uma ex­posição interativa permite conhecer todos os laureados com o famoso prêmio. Suas pequenas ruelas antigas abrigam bou­tiques, ateliers, restaurantes e hotéis pequenos. O DenGylde­neFreden, de 1722, é considerado o mais antigo restaurante em funcionamento que exibe ainda seus móveis originais. Da última vez que estivemos em Estocolmo ficamos num hotel temático, que exibia mais de 100 modelos de barcos a vela, de todas as formas e tamanhos, espalhados pelas áreas comuns, pelos restaurantes e pelos apartamentos.

De dia, o comércio impera na cidade velha e à noite ela se enche de turistas e moradores, que lotam seus restaurantes e bares. Como a cidade é cortada por braços de mar, é comum você pegar um taxi marítimo para atravessá-los. Estocolmo é uma cidade tão sofisticada como Paris, tão alegre como Ams­terdam e tão exclusiva como Tóquio.

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