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7 de julho de 2022 | 13:34
Jornal Tribuna Ribeirão
ALFREDO RISK-ARQUIVO

Experimento cultiva plantas em solo lunar

Um experimento conduzi­do por pesquisadores da Uni­versidade da Flórida (EUA) plantou sementes em amostras de rocha e poeira lunar trazi­das para a Terra há meio sécu­lo pelos astronautas da missão Apollo. Publicado na quinta­-feira, 12 de maio, na revista Nature Communications Bio­logy e financiado pela Nasa, agência espacial americana, o estudo é o primeiro exemplo conhecido de plantas cultiva­das em solo lunar, disse a co­autora Anna-Lisa Paul, bióloga da instituição de ensino.

O resultado encontrado foi de que as plantas podem crescer em solo lunar – elas não adoram, ficam estres­sadas e podem ficar roxas depois de inicialmente pare­cerem verdes, mas ainda po­dem germinar, enviar raízes através do solo lunar, brotar folhas, crescer e potencial­mente serem comestíveis. Anna-Lisa Paul e seu colega e coautor, Robert Ferl, bus­caram quatro gramas de solo lunar da Nasa e acabaram com 12 gramas – quatro cada de três missões: 11, 12 e 17.

Eles plantaram sementes de plantas semelhantes ao agrião. Os cientistas não tinham ideia do que esperar quando adi­cionaram água às amostras. O solo foi selado e arquivado no Johnson Space Center da Nasa, em Houston. As amos­tras nunca haviam sido expos­tas ao ar, água líquida ou qual­quer outra das amenidades da Terra. “Não sabíamos se elas iriam explodir, se iriam fracas­sar e borbulhar”, disse Paul.

As amostras repeliam a água e se mostraram extre­mamente hidrofóbicas. Os pesquisadores trabalharam para fazer com que o solo lunar absorvesse água gradu­almente e adicionaram uma solução nutritiva, e as plantas germinaram e começaram a brotar. Notou-se que o solo retirado da superfície pelos astronautas da Apollo 11 não era tão favorável ao cresci­mento quanto o das duas missões Apollo posteriores.

Uma análise subsequente mostrou que as plantas ativa­ram genes de estresse seme­lhantes aos observados em plantas expostas a condições adversas, como água salgada. Os pesquisadores concluíram que o solo lunar poderia ser usado para produção de plan­tas e experimentos na lua, mas “não é um substrato de cresci­mento benigno”, diz o estudo. “Acho incrível que, mesmo nessas condições, a planta cresceu”, disse Ferl. “Está es­tressada, mas não morre. Não deixa de crescer. Ela se adapta.”

O experimento é tido como encorajador para a Nasa e ou­tras agências espaciais que es­peram poder apoiar missões humanas na superfície da lua aproveitando os recursos natu­rais. “A ideia de trazer o solo lunar para uma estufa lunar é o material dos sonhos de exploração”, disse Ferl. “Se você olhar para trás na ficção científica, as plantas sempre fizeram parte da agenda de exploração profunda.”

O solo lunar contém al­guns elementos familiares aos nossos, incluindo ferro e mag­nésio, mas falta muito dos mi­nerais encontrados na Terra. Além disso, tem uma textura diferente e mais áspera: mui­tos cacos minúsculos e afiados. Ele continha também pedaços microscópicos deixados por impactos de meteoritos.

Por esses motivos, as raí­zes das plantas não cresceram retas como as raízes de mudas plantadas em uma simulação de solo lunar, que serviu de controle para o experimento. “As raízes eram mais dobra­das e retorcidas”, disse Paul. Ainda assim, as plantas seriam comestíveis, ela afirma. “É co­mestível, mas não é especial­mente saboroso. Não é consi­derado uma cultura alimentar em si”, disse ela sobre o agrião.

Não há afirmações de que a lua poderia ser verde um dia, mas as plantas podem ser ge­neticamente modificadas para serem mais adaptáveis ao solo lunar. Jacob Bleacher, cientista chefe de explorações da Nasa, disse que as missões para a lua exigirão o uso de recursos no local, em vez de transportar tudo da Terra.

Sharmila Bhattacharya, cien­tista do programa da Nasa para biologia espacial, disse que há mais trabalho a ser feito para tornar o cultivo de plantas uma ferramenta útil na exploração lunar. Ela observou que as plan­tas já são cultivadas nas Esta­ções Espaciais Internacionais e servem mais do que simples­mente uma função nutricional.

Os astronautas, disse ela, gostam de estar perto das plan­tas. Eles verificam as plantas em seu tempo livre. “Realmen­te nos surpreendeu o quanto eles amam aqueles hábitats de plantas”, disse ela. “Quando eles comemoram o aniversário um do outro, eles fazem isso perto do hábitat vegetal. Perce­bemos quanta diferença positi­va as plantas fizeram.”

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