Faça Ribeirão, ex-cidade velha

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Depois do calor intenso (e insuportável) do começo do mês, as chuvas deste final de semana amenizaram o clima, mas trou­xeram aos ribeirão-pretanos lembranças nada agradáveis.

Nem chegamos ao período das chuvas e já estamos con­vivendo com os mesmos problemas dos últimos anos: água rolando sobre o calçamento, abrindo buracos e crateras que causam acidentes. Veículos são atraídos e, desgovernados, acabam soterrados. As cenas foram vividas até no Centro da cidade (rua Florêncio de Abreu, na Baixada).

Nos bairros em que a água corre por ruas sem pavimen­tação o drama da população também é velho conhecido, rolando detritos (não há infraestrutura) e com valetas que dificultam os pedestres (geralmente nem iluminação há).

Esse “filme” assistimos por várias vezes, principalmente no final do governo Dárcy Vera, quando Ribeirão ficou quase intransitável, ante os buracos nas ruas e avenidas, do Centro e dos bairros. É bem verdade que o atual prefei­to cuidou de reparar o calçamento, mas o estado anterior é indesejável por todos.

Causa preocupação o ocorrido no último final de semana ao se saber de tubulações entupidas: galerias de águas pluviais (recolhem as das chuvas) e “boca de lobo” foram limpas por moradores dos bairros (por exemplo, na Nova Ribeirânia, na tarde de sábado). Sinal que a manutenção pelo setor de lim­peza do Município deixou de se preparar para essa época.

Na cratera da Florêncio de Abreu foi visto o vazamento subterrâneo (minando água), aquele que solapa (afunda) e só se descobre depois que faz o estrago na superfície. Essa já é uma outra questão.

Ribeirão não é uma cidade que se possa classificar entre as velhas, mas já soma 164 anos.
A pavimentação da parte central remonta a primeira me­tade do século passado. Onde há asfalto não houvea retira­dadas pedras(paralelepípedos), não se refazendo as redes de canos d´agua e tubulações de esgoto de antigamente.

Sempre se fez correções (remendos). Parece ter chegado a hora de se pensar em algo mais técnico, inteligente e urgen­te: um planejamento para a substituição das redes que dão sinais de envelhecimento. Exigirá recursos financeiros. Os orçamentos do Município nos próximos anos deverão prever disponibilidades, porque rasgar o solo central e empregar os materiais atuais (modernos) é obra longa e onerosa. Após os pontilhões atuais, os próximos podem ficar para outras gestões, sem desejos de heroísmo político.

É da costumeira teoria dos políticos dizer que gastar dinheiro com obras debaixo da terra não dá voto. Por isso, adiam enquanto podem. Talvez não possam mais. A sinali­zação é a de que a questão já exige atenção e prudência dos nossos administradores, que devem encaminhar a matéria para os técnicos, agindo com responsabilidade.

Será que os atuais concorrentes em 15 de novembro pró­ximo pensam assim? Ou querem continuar correndo riscos pessoais (político-eleitorais) de serem os “promotores-re­alizadores” da nossa cidade velha, conservando-a como antigamente? Se for isso, farão a população sofrer pela sua falta de visão administrativa e de coragem política. Ficarão mal na história.

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