‘Faltam lideranças mundiais’, diz FHC

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Durante o “Lide Live In­terior SP”, realizado nesta quinta-feira, 25 de junho, um encontro virtual com o ex­-presidente Fernando Hen­rique Cardoso abordou te­mas envolvendo a análise do cenário financeiro e político do Brasil e do exterior para contribuir com a atuação dos empresários de diversos seto­res visando fomentar as prá­ticas de sucesso.

O evento promovido pelo Lide Ribeirão Preto foi me­diado pelo jornalista Augusto Nunes, que possui passagem pelos principais veículos de comunicação do país e é con­siderado uma referência na cobertura do noticiário polí­tico e econômico. De acordo com FHC, a liderança é es­sencial nos momentos de cri­se, principalmente, em rela­ção a postura dos ocupantes de cargos estratégicos.

“Já tivemos pessoas como Bill Clinton e Nelson Man­dela que imantam a posição de liderança, eles conse­guem te entusiasmar. Quem exerce a liderança deve ter a noção do valor simbóli­co, que a palavra tem uma outra dimensão, que ele não é uma pessoa comum”, afirma Cardoso. A respei­to do cenário econômico, o ex-presidente diz acreditar que o Brasil irá se recuperar em um período de médio prazo e que a agricultura e o setor financeiro serão funda­mentais para essa retomada.

“O Brasil tem grande pos­sibilidade de recuperação por meio da agricultura, te­mos alguma dificuldade no setor industrial, mas o setor financeiro também aprendeu bastante e tem condições de ajudar na recuperação. Te­mos uma mão de obra abun­dante e setores com empresá­rios fortes que vão continuar e isso ajudará a economia. Por outro lado, é importante olhar o equilíbrio fiscal com atenção no futuro. Se tiver­mos sorte vamos levar mais uns dois ou três anos para se recuperar na economia”, ob­serva Cardoso.

Em relação aos impactos da pandemia da covid-19, o ex-presidente diz que é ne­cessário ser razoável e bus­car o apoio de pessoas que entendem sobre o assunto para contribuir com as deci­sões. “É preciso ser razoável para retomada das ativida­des, ter racionalidade. En­tendo que ninguém aguenta ficar muito tempo parado. Nas crises é necessário ter humildade para saber que não pode fazer tudo sozi­nho, tem que chamar as pes­soas que sabem, contar com essa ajuda para solucionar os problemas e explicar a si­tuação aos envolvidos. Além disso, é preciso transmitir esperança e encontrar cami­nhos”, afirma Cardoso.

Estabilidade política
O ex-presidente ressaltou ainda que a situação política e o sistema democrático no Bra­sil não correm nenhum risco em razão da polarização de grupos ideológicos ou partidá­rios. “Não temos um clima de risco da democracia no Bra­sil. Não acho que os militares estejam com disposição para uma intervenção”, diz.

“É preciso ter cuidado com a democracia, mas não acredito que tenha clima para retorno de um regime autori­tário. O que pode acontecer é a democracia ficar frágil, mas não estamos em um ce­nário que possa representar a perda da liberdade”, ava­lia Cardoso. Em relação a atuação e decisões tomadas pelo Supremo Tribunal Fe­deral (STF) e Câmara dos Deputados, o ex-presidente afirma que os poderes estão atuando conforme os papéis estabelecidos.

“O Supremo precisa cumprir a lei. A opinião pública se divide, diverge, mas o STF precisa seguir o que diz a legislação. No par­lamento, eu vejo um Con­gresso forte e que defende os interesses nacionais. É importante esse tipo de lide­rança”, diz Cardoso.

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