A forma como o governo municipal está agindo frente à Covid-19, evidencia que nossas autoridades políticas nada aprenderam com a pandemia ainda em curso. O negacionis­mo acerca da doença, e de sua gravidade, revela-se no fato do governo querer a volta da normalidade à força e o completo abandono do distanciamento social.

Embora adote a narrativa de que tem grande preocupação com a pandemia, o governo municipal não age efetivamen­te para frear a taxa de contaminação, nem para evitar uma disparada de novos casos de coronavírus diante da chegada de novas variantes.

Como o calendário vacinal avança ainda timidamente em Ribeirão Preto – a exemplo de todos os demais municípios brasileiros – as medidas de saúde pública não farmacológicas continuam a ser essenciais. Ao invés do governo prosseguir constantemente buscando novas formas de conciliar o traba­lho remoto dos seus servidores com a qualidade e a efetivida­de do serviço público, o que temos vivenciado é o oposto.

Com o desejo quase obsessivo de reabrir as escolas mu­nicipais a todo custo (incluindo à vida) e de retomar meca­nicamente as rotinas de trabalho no serviço público, o governo parece ignorar que a pandemia em Ribeirão Preto, com a vacinação ainda incompleta, tende a se agravar como já vem ocorrendo em vários países do mundo. Não é hora de baixar a guarda! O novo coronavírus já provou que não segue os decretos de governantes que decidem pela sua partida, seja em Ribeirão Preto, Moscou, Roma, Lisboa, Berlim ou em Londres.

O Sindicato dos Servidores Municipais/RPGP já notificou o governo sobre os riscos da prematura reabertura ampla, geral e irrestrita das unidades de trabalho e dos prejuízos de se abandonar por completo o trabalho remoto. Com esta notificação, queremos que as autoridades municipais estejam cientes das suas responsabilidades e dos riscos que o aban­dono das medidas de isolamento social pode representar quando adotado em meio a um período caracterizado pelas baixas temperaturas e com a com a transmissão comunitária da variante Delta já ocorrendo no Brasil.

No país do negacionismo, ao invés de intensificar e am­pliar a vacinação e melhorar a testagem de pessoas, o governo municipal pretende restaurar a normalidade à força, sendo à volta às aulas presenciais, o maior troféu. Como se o vírus mortal não estivesse mais circulando entre nós.
Por trás das investidas do governo contra as medidas de isolamento social no serviço público, há o velho negacionis­mo, agora embalado pela falsa ideia de que “o pior já passou”. Infelizmente, nada há nada mais perigoso e longe da verdade!