Jornal Tribuna Ribeirão

Guarda civil de Serrana é acusado de jogar moto contra adolescente

REDES SOCIAIS

Adalberto Luque

A rotina da auxiliar admi­nistrativa Talita Aliotto tem sido desgastante desde o feria­do de 21 de abril. Ela luta pela punição de dois integrantes da Guarda Civil Municipal de Serrana, que teriam aborda­do um grupo de adolescentes com agressividade, um deles inclusive, teria jogado a moto­cicleta da Corporação contra a bicicleta de um dos jovens.

Tudo começou quando três garotos se reuniram para andar de bicicleta no dia 21 de abril: o filho de Talita, de 15 anos, e dois amigos, de 14 e 11 anos. Eles saíram pelas ruas pedalando e foram até o Parque Bela Fonte, um local bastante frequentado por quem busca atividades físi­cas ao ar livre em Serrana.

Talita garante que só vai parar quando o guarda for punido

Sem conhecer as regras, os três entraram pedalando no parque. Logo foram aborda­dos por uma viatura da Guar­da Civil Municipal. Os dois guardas conversaram com os adolescentes, informando-lhes que não era permitido andar de bike no Parque. Os jovens atenderam e se desculparam. Desceram das bicicletas e se di­rigiram para a saída.

Ao se aproximarem do por­tão, outros dois guardas, estes conduzindo motocicletas da Corporação, abordaram os ga­rotos. Segundo Talita, os dois começaram a tratar os jovens com rispidez. Um deles teria ameaçado, caso o trio voltasse a pedalar por lá, garantindo que iriam quebrar as bicicletas.

Os rapazes saíram de lá e os guardas civis acompanharam. Em dado momento, conforme imagens de uma câmera de se­gurança obtidas pela mãe do adolescente de 15 anos, um dos guardas acelera sua moto em direção à roda traseira da bici­cleta e acaba batendo nela.

O adolescente chegou cho­rando em casa e relatou o que tinha ocorrido. Talita então, inconformada, foi até a sede da Guarda Municipal, onde houve uma ríspida discussão. Ela disse que recebeu uma cusparada do guarda munici­pal que jogou a moto contra a bicicleta de seu filho.

Talita então, passou a filmar. Ela também admite ter revi­dado a cusparada. No vídeo, o agente manda a mãe procurar seus direitos. As imagens são encerradas depois que ele cha­ma a mulher de “trouxa”.

Mãe procurou os direitos
Seguindo os conselhos do guarda civil de Serrana, Tali­ta foi buscar seus direitos. Ela percorreu diversos órgãos para formalizar a denúncia. Como no feriado prolongado a dele­gacia esteve fechada na cidade – funcionando em regime de plantão na cidade de Ribeirão Preto -, logo que o órgão co­meçou a funcionar, na manhã de 25 de abril, ela registrou o Boletim de Ocorrência.

O caso foi relatado como injúria. A mãe do jovem tem seis meses para representar contra o denunciado. Ao sair da delegacia, ela foi à Corre­gedoria da Guarda Civil, onde registrou o desentendimento com o servidor. De acordo com Talita, ela foi atendida pelo próprio corregedor-geral, José Nilton Mota, que tomou seu depoimento e elaborou um Termo de Declarações.
Desde então, Talita esteve em diversos órgãos. Na pre­feitura, segundo ela, teria sido atendida pelo prefeito Leonar­do Caressato Capitelli, o Leo Capitelli. A mãe explica que o prefeito hipotecou apoio e que quer ver tudo esclarecido. Ain­da de acordo com ela, o prefeito teria designado um advogado para acompanhá-la e orientá-la no que fosse necessário.

Foi então ao Ministério Público, onde também rela­tou o ocorrido e foi orienta­da a procurar o órgão assim que o trabalho de Polícia Judiciária, feito pela Polícia Civil, estiver concluído.

Inconformada
A mãe está inconformada com o que considera total des­respeito de um agente público. “Meu filho ficou abalado. Nos primeiros dias ele não queria nem mesmo ir para escola. Fi­cou cinco dias sem sair de casa. É um menino muito querido por todos, elogiado. Não é um bandido para ser tratado da­quele jeito. Ele teve a bicicleta danificada. Ele foi ameaçado por um guarda municipal, sem a menor educação e respeito. Vou ter que levá-lo a uma psi­cóloga. Felizmente depois que ele viu minha luta para punir o guarda, retomou seus estudos. Mas vou até o fim com essa luta”, desabafa.

Ela relata que o advogado pediu punição administrativa de cinco dias, que já teria sido cumprida. Também explica que a Corregedoria teria oferecido um pedido de desculpas. “Isso não é suficiente. Meu filho teve um problema emocional muito grave. Quero punição”.

Talita ainda disse que a Guarda Municipal de Serrana deve pagar o conserto da bici­cleta, estimado em R$ 90,00. Mas não concorda que seja a Guarda quem deva pagar e sim o guarda que teria abal­roado a bicicleta de seu filho. “Ele usou a moto da Institui­ção, causou um problema e se a Guarda pagar, toda a cidade estará pagando”.

Para reforçar as denúncias, a mãe gravou as imagens que ob­teve com câmeras de segurança que filmaram o momento em que o grupo é abordado num primeiro momento. Depois os garotos seguem e voltam a ser abordados. Desta feita com a motocicleta acelerando na dire­ção do rapaz. Também gravou as imagens que fez do guarda municipal durante a discussão em que teria havido cusparadas de ambos os lados.

Momento em que guarda municipal joga moto em cima da bicicleta do adolescente

O Tribuna Ribeirão entrou em contato com o corregedor­-geral da Guarda Civil Muni­cipal de Serrana, José Nilton Mota, por telefone e por e-mail. Enviou questões para que ele pudesse se manifestar, mas não obteve retorno.

Também entrou em contato por e-mail com a Assessoria de Imprensa da Prefeitura e atra­vés de aplicativo de mensagens com o prefeito Leo Capitelli, mas em ambos os casos, não obteve nenhuma resposta a res­peito do caso. Enquanto aguar­da uma punição para o respon­sável, Talita tenta fazer com que o filho retome sua rotina. Ela própria tenta retomar sua roti­na no trabalho e socialmente. “Ele tem que pagar. Meu filho errou por desconhecimento, mas obedeceu à orientação dos dois primeiros guardas. Ele agiu com muita violência, ameaçando um menino de 15 anos e outros dois de 14 e 11 anos. Só paro quando ele for punido”, conclui Talita.

Mais notícias

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
AllEscort