HC vai tratar aneurisma com dispositivo inédito

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ALFREDO RISK/ARQUIVO

Cerca de 140 pacientes diag­nosticados com aneurisma cerebral tratados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HC-FMRP/USP) serão ope­rados e vão utilizar um dis­positivo fornecido por uma empresa alemã, ainda não dis­ponível no mercado brasileiro, que significa uma revolução nesse tipo de tratamento.

Os pacientes, todos do Siste­ma Único de Saúde (SUS), vão se beneficiar dessa parceria feita entre o HC e a empresa alemã que fornecerá os stents.“Este dispositivo é uma nova geração de material com menor risco, representando uma evolução do que se tem disponível atualmen­te no país”, explica o professor da FMRP, Daniel Abud, coordena­dor da pesquisa.

A fabricante alemã tem como objetivo obter dados concretos para comprovar os benefícios do novo equipamen­to.“Não se trata de um material experimental, ele já é aprovado para uso na Europa e inclusive existe um estudo similar ao nos­so sendo conduzido lá”, explica o professor Daniel Abud.

De acordo com Abud, “os pacientes do SUS que têm aneu­rismas cerebrais complexos, ar­riscados para tratamento de ou­tra maneira serão os escolhidos para as cirurgias”, que começam na próxima semana com quatro intervenções. A equipe brasileira terá a colaboração do professor Hans Henkes, chefe do serviço de Neurorradiologia Interven­cionista de Stuttgart.

Stent
Uma pequena prótese que pode ser colocada no interior de uma artéria para evitar a obs­trução dos vasos sanguíneos. O dispositivo que vamos usar não existe ainda para comercializa­ção no Brasil. Equipamentos que mais se aproximam têm custo acima de R$ 50 mil, a uni­dade.

Histórico
O tratamento dos aneuris­mas cerebrais por via endovas­cular vem se desenvolvendo rapidamente desde a década de 90. A tecnologia dos dispositi­vos redirecionadores de fluxo (stents) se tornou disponível há cerca de 10 anos em países desenvolvidos e no Brasil, des­de 2011. De acordo com Abud, “ela é revolucionária pois per­mite a reconstrução da artéria e tratamento do aneurisma de forma definitiva com um método minimamente invasi­vo, resultando em um retorno muito rápido às atividades”.

No entanto, ele explica que o stent usado atualmente “tem uma superfície metálica muito grande, existe um risco de trombose da artéria, por isso é necessária uma grande carga de medicamentos para prevenir esse evento. Esses medicamentos têm potenciais efeitos colaterais”.

“Essa nova geração de equi­pamentos tem um revestimento que possibilita o uso de bem me­nos medicamentos, potencial­mente diminuindo ainda mais os riscos desse tratamento. Essa nova geração de dispositivos po­derá ser utilizada em uma par­cela bem maior dos aneurismas do que a anterior, representando uma revolução”, garante.

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