Hiroshima, Nagazaki e Lídice

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No final da II Guerra Mundial os beligerantes resolveram unilate­ralmente abolir vários tipos de crime de guerra, um dos quais se referia à proibição de atacar alvos civis. Até então durante a guerra as nações somente poderiam atacar ou mesmo matar soldados inimigos.

No dia 27 de maio de 1942, Reinhard Heydrich, então governa­dor alemão da Boêmia, indo para o trabalho, foi surpreendido por militantes que acabaram por matá-lo. Os militantes haviam saltado de um avião inglês. Heydrich era tido como um dos governantes mais próximos de Hitler. Foi desencadeada uma investigação brutal para a identificação dos responsáveis pelo atentado.

Os paraquedas foram encontrados nas proximidades da peque­na vila conhecida como Lídice. As tropas alemãs invadiram Lídice, fuzilando todos os homens para em seguida arrastarem todas as mulheres e seus filhos para um campo de concentração onde foram envenenados. Há notícia de que algumas das crianças foram levadas para a Alemanha, e entregues para adoção.

Após a guerra, os países envolvidos, em seus territórios, bati­zaram uma pequena cidade com o nome de Lídice para perpetuar a memória daquelas pessoas mortas pelas autoridades alemãs. O governo brasileiro seguiu esse exemplo.

No alto da Serra do Mar, pela estrada que segue da Rodovia Presidente Dutra para Angra dos Reis, uma pequena localidade do Município de Itaverá, passou a se chamar Lídice. No local há um monumento em torno do qual, uma vez por ano, as autoridades brasileiras, acompanhadas por diplomatas estrangeiros, rememoram a barbaridade que teve como palco a vila de Lídice.

Por mais que se pretenda cultivar as notícias daquele severo tempo histórico, observamos que em nossos dias atacar alvos civis deixou de ser crime de guerra. A barbaridade foi convertida em regra de conduta.

No final da referida guerra, após a Alemanha já ter reconhecido sua derrota, com a tomada de Berlim pelas tropas russas, os Estados Unidos lançaram no Japão duas bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki respectivamente no dia 6 e 9 de agosto de 1945. Afirma-se que cerca de 200 mil adultos e crianças foram mortos em Hiroshima e 80 mil desapareceram em Nagasaki. O morticínio inau­gurou a fase atômica dos países e a Guerra fria entre as nações.

Não houve lançamentos bélicos de bombas atômicas após a matança de Hiroshima e Nagasaki. Atualmente as nações mais pode­rosas também fabricam armas poderosas afastadas da linha nuclear.

No dia 17 de abril de 2017, os Estados Unidos lançaram no Afeganis­tão uma das mais potentes bombas já fabricadas, denominada “bomba­-mãe”. Não há notícia do número de mortos. O noticiário registra que as tropas americanas estão em guerra no Afeganistão há 17 anos.

De se registrar ainda que um oficial da mais alta patente do Irã, General Soleiman, após descer de um avião no Iraque sofreu um atentado, disparado de um drone norte-americano. Muito embora os Estados Unidos não estejam em guerra contra o Irã, o ataque se deu por ordens do Presidente Trump, conforme sua pública confirmação.

Os crimes de guerra desapareceram. Viraram tema da trági­ca história da humanidade. Nestes dias, o mundo registra em sua memória, os ataques sofridos por Lídice, Hiroshima, Nagasaki, entre outros, probatórios de que a humanidade lançou para cascos de rolha qualquer possibilidade de ser discutida a hipótese de crime de guerra. A humanidade vem dando as costas para a paz, arman­do-se como se a harmonia internacional refletisse a necessidade da imposição hegemônica dos guerreiros mais poderosos: “se você quer a paz, faça a guerra”.

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