“Idiocracy” é um filme de humor negro lançado em 2006 nos Estados Unidos. Trata-se de uma comédia de ficção científica dirigida por Mike Judge. Ele conta o experimen­to científico de hibernação com duas pessoas que acaba dando errado, e elas despertam 500 anos depois no futuro, em 2505. Descobrem, então, que a sociedade baniu de seu horizonte a utopia e o consumismo, o mercantilismo e o anti-intelectualismo tornaram-se valores supremos. Tornou-se avessa a qualquer posicionamento crítico frente ao status quo. A pressão disgênica resultou em uma sociedade uni­formemente estúpida, insensível ao meio ambiente, despro­vida da mínima curiosidade intelectual, responsabilidade social e noções coerentes de justiça e direitos humanos. A raça humana passara por processo de derretimento das suas capacidades cognitivas e intelectuais.

O diretor e roteirista do filme produziu “Idiocracy” para cumprir o seu contrato de dois filmes com a 20th Century Fox. Tentava expressar seu ponto de vista sobre a trajetória da sociedade estadunidense. Era para ser um “2001 que deu errado”, no qual a sociedade piorou em vez de melhorar. A Fox, no entanto, não o lançou quando concluído e não fez nada com ele por quase um ano, não havendo trailers, kits de imprensa, ou projeções para os críticos, antes de liberá-lo apenas em cinemas suficientes para cumprir o acordo de dis­tribuição. Na maioria dos lugares nos EUA onde foi lançado, o filme foi listado como “comédia de Mike Judge sem título”. Posteriormente, a Fox alegou que o filme fora engavetado por não ter sido bem recebido em exibições-teste. Mas este filme não-lançado nos serve de inspiração nesse momento.

“Idiocracy” serve muito bem para retratar o novo gover­no que assumiu no Brasil em 01 de janeiro. Teremos farto material para piadas nos próximos quatro anos. E cada uma mais grotesca do que as outras. No filme, o presidente Cama­cho, desempenhado por Terry Crews, não passa de um idiota exibicionista. Qualquer semelhança não é mera coincidência. Alguns expoentes da “Idiocracy” terão destaque especial, mas ninguém vai bater a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, a pastora Damares Alves. Como disse Kiko No­gueira no Diário do Centro do Mundo (DCM), perto dessa mulher somos todos gênios, até Merval Pereira e Gerson Ca­marotti. Ela foi indicada pela bancada evangélica exatamente para defender aberrações como a “escola sem partido” e acusar professores de promoverem a pornografia nas escolas.

E a tal “ideologia de gênero” certamente será seu prato predileto. Coisa que ela não consegue explicar, além de con­clamar meninos para vestirem azul e meninas, cor-de-rosa. Ela possui um arsenal de indigência mental inesgotável. Na entrevista que deu à Globo News, confundiu Comissão da Verdade, encerrada em 2004, com a Comissão da Anistia que passará a integrar o seu ministério. Não sabe a diferença entre o Enem e o Sisu. O primeiro mede o conhecimento dos estudantes e o segundo permite que, com base nas notas do exame, eles disputem vagas em universidades. Damares é a cara da república dos idiotas do governo Bolsonaro. Ela defende um tipo de “família” enquanto destrói outros que não se enquadram em sua visão tacanha de mundo, como disse Kiko Nogueira. Ela é a alma da idiocracia que se instalou. “Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância sincera e a estupidez conscienciosa”, disse Martin Luther King. “Kyrie eleison”.

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