Nos últimos dias, um artigo científico (http://ojs.rbpg.capes.gov.br/index.php/rbpg/arti­cle/view/1472) publicado na Revista Brasileira de Pós-Graduação (RBPG) da Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de NíveL Superior (Capes), afirmou que, ser alfabetizado ar­tisticamente, economicamente, literariamente, politicamente e filosoficamente, entre outros, é saber ler a linguagem em que está escrita a arte, a economia, a literatura, a política e a filosofia, respectivamente. Neste contexto, conclui-se que o desenvolvimento de linguagens específi­cas, decorrência natural da especialização da atividade humana, e consequente formação de grupos de trabalho que as utilizam, procura aproximar quem trabalha com determinado conhecimento científico de quem aprende o jargão básico da área. Função primeira do que entendemos por iniciação científica, tal fato nos permite afirmar que iniciar cientificamente alguém em determinado contexto é tarefa multidisciplinar, cabendo a todas as áreas fazê-lo.

Conhecida por estudiosos como forma de gerar conhecimento útil de modo sistemático e controlado, a iniciação científica, segundo os auto­res, é ato que orienta o termo “conceituar” a assumir duas representações imprescindíveis: a de “significação constitutiva” e a de “significação opera­cional”. Na primeira, está a definição de uma palavra usando outras palavras (substituição de um conceito por outro); na segunda, está a definição dessa mesma palavra mediante ações e comportamentos que ela expressa ou implica (interação de um conceito com o real obser­vado). A constitutiva permite estabelecer conexões entre as palavras utilizadas e os dados observados. A operacional permite ao pesquisador medir e manipular variáveis na realidade empírica. Ao artigo publicado na RBPG interessou tanto as significações constitutivas quanto as significações operacionais alcançadas pelos alunos.

Capacitar alunos a ler, escrever e compreender conceitos científicos é atitude que pro­move, nos mesmos, consciência do impacto que a ciência, juntamente com a tecnologia, cau­sam na sociedade. Em seu contexto, o conhecimento consensual pode ser retratado pelas no­ções e informações que os alunos trazem de casa e dos ambientes que frequentam, enquanto o conhecimento científico é retratado pela especificação de termos a serem utilizados para se referirem a determinado elemento, ou assunto, próprio do ambiente acadêmico que passam a frequentar. Quando voltada à otimização do conhecimento produzido pela ciência, prioriza a assimilação de conceitos científicos; voltada à formação cidadã, prioriza o desenvolvimento de atitudes e valores.

Na contemporaneidade, a alfabetização científica, possibilitando ex­ploração e compreensão dos meios natural e social, à luz de conteúdos ad­vindos de informações teóricas, vivências e métodos de ensino, sobressai ao habilitar-se a dar respostas para temas que continuam sem respostas, como, por exemplo, a capacidade de entender bem textos complexos. Como? Ex­plorando a metacognição bem além dos procedimentos usuais de transmis­são simples do conhecimento, ato que privilegia a orientação precisa, e eficiente, do conteúdo disponibilizado, adotando abordagens emancipadoras, especialmente aquelas baseadas no processo maiêutico e em aprendizagem independente.

Parabenizamos os autores, Profa. Dra. Rosemary Conceição dos Santos, Profa. Dra. Marisa Barbieri e Roberto Galetti Sanchez, pela oportuna abordagem e excelente contribuição científica que tais esclarecimentos agregam a todos.

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