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13 de agosto de 2022 | 15:04
Jornal Tribuna Ribeirão
FOTOS: FACEBOOK.COM/CAMINHOAGUAS.OFICIAL
Turismo

Interior de SP – O turismo religioso do Caminho das Águas

Com um trajeto total de 107 km, passando por estradas rurais, fazendas, rios, lagos e ri­beirões, o Caminho das Águas proporciona momentos de muita reflexão, fé e verdadeira interação com a natureza nos mais lindos cenários. No su­doeste do estado de São Paulo, na região do Vale do Paranapa­nema, próximo à divisa com o Estado do Paraná, o percurso engloba os municípios de Pira­ju (a 330 km de Ribeirão Pre­to), Sarutaiá, Fartura, Taguaí, Coronel Macedo e Itaporanga. Podendo ser realizado da ma­neira como o esportista/pere­grino desejar.

O Caminho das Águas tem como objetivo explorar o turismo regional e a religio­sidade. O percurso tem início na cidade de Piraju e destino final em Itaporanga, na Aba­dia de Nossa Senhora de Santa Cruz – templo histórico e re­ligioso que atrai visitantes de todos os cantos, que buscam aprofundar a religiosidade, fé e devoção através da história viva dos monges cistercienses.

Inspirado no milenar Cami­nho de Santiago de Composte­la na Espanha, o Caminho das Águas contempla 6 lindas cida­des do nosso interior e explora suas características e belezas na­turais. Além de oferecer a opor­tunidade de vivenciar a cultura local e saborear a gastronomia típica regional.

A pé ou de bicicleta, romeiros percorrem os mais de 100 km do Caminho das Águas

Abadia de Nossa Senhora da Santa Cruz
A Abadia de Nossa Senhora da Santa Cruz (Abadia de Itapo­ranga) é um mosteiro da Ordem Cisterciense situado em Itapo­ranga, interior paulista, fundado no dia 5 de agosto de 1936 por monges alemães perseguidos pelo nazismo provenientes da Abadia de Himmerod, fundada em 1134 por São Bernardo de Claraval.

A história do Mosteiro tem suas origens na Abadia de Himmerod, na Alemanha, quando em 1935 o Abade Dom Carlos Münz envia Padre Atanásio Merkle para os Estados Unidos, a fim de encontrar lugares propícios para uma possível transferência de sua comunidade mo­nástica, a qual estava sendo perseguida pelo regime nazista, vigente no país na época, uma vez que o mesmo era oponente das ideologias nazistas. Merkle, não as encontrando porém, dirige-se para o Brasil na esperança de encontrar terras próximas às colônias alemãs de Santa Catarina.

A escolha de Itaporanga, deu-se, primeiramente, graças à indicação do Abade do Mosteiro de São Bento de São Paulo, Dom Domingos de Silos Schelhorn, sobre as terras doadas pelo Barão de Antonina, João da Silva Machado, à Arquidiocese de Sorocaba para a missão capuchinha de catequização indígena e, sobretudo, para a assistência religiosa dos habitantes às margens do Rio Verde, localidade então perten­cente a Faxina (hoje Itapeva – SP), levada a cabo pelo italiano Frei Pacífico de Montefalco na metade do século XIX.

Tais terras, então denominadas “Patrimônio de São João Batista” foram assim cedidas pelo Arcebispo de Sorocaba, Dom José Carlos de Aguirre, aos cistercienses no dia 29 de junho de 1936, com a condição de que se encarregassem do cuidado pastoral das paróquias de Itaporanga e de Ribeirão Vermelho do Sul (hoje Riversul).

Até a primeira metade do século XX a comunidade cisterciense era composta em sua maioria por monges alemães, os quais não apenas consolidaram a fundação do mosteiro, mas também reestruturaram a paróquia de São João Batista, legado de Frei Pacífico de Montefalco, sobretudo com a consagração da Igreja Abacial e Paroquial em 1967, uma vez que a própria matriz havia sido demolida em 1936 por ordem diocesana.

Os monges cistercienses também passaram a exercer trabalhos agrícolas e pecuários para a subsistência da comunidade desde o início de sua fundação, num local situado a 6 km do Mosteiro, denominado “Mos­teirinho de São José”, que até meados da década de 1970 funcionava como um priorado dependente do Mosteiro de Nossa Senhora da Santa Cruz. Tal trabalho manual, herança autêntica da Regra de São Bento, continua sendo, juntamente com o cuidado pastoral das referidas paróquias, as duas principais atividades exercidas pela comunidade monástica.

Desde sua fundação em 1936 até 1948, o Mosteiro de Nossa Senhora da Santa Cruz estava ligado à Abadia de Himmerod como priorado dependente, sendo o Abade Dom Vito Recke seu pater imediatus (patriarca imediato). Em 1948, porém, o Mosteiro torna-se priorado sui juris, de modo que adquire auto­nomia jurídica em relação à abadia fundadora. E em 1950, então, por decisão do Capítulo Geral da Ordem, o priorado foi elevado a Abadia, sendo Padre Atanásio Merkle eleito como seu primeiro Abade, tendo sua bênção abacial ocorrido no dia 12 de dezembro do mesmo ano na Catedral de Sorocaba, ministrada por Dom José Carlos de Aguirre.

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