MOHAMMED SALEM/REUTERS

Israel voltou a lançar ata­ques aéreos na Faixa de Gaza na noite de quinta-feira, 17 de junho, em resposta ao lança­mento de balões incendiários por parte de ativistas palesti­nos mobilizados pelo Hamas. É a segunda vez que Israel bombardeia a Palestina desde que foi quebrado o cessar-fogo, que durou menos de um mês.

Os ataques ocorreram de­pois de militantes palestinos, na fronteira de Gaza, terem lançado balões incendiários contra território israelense pelo terceiro dia consecuti­vo. Os militares disseram que aviões de combate atingiram “complexos militares e um local de lançamento de ro­ckets” do Hamas em resposta aos balões, indicando que as suas forças estão se preparan­do para uma “variedade de cenários, incluindo a retoma­da das hostilidades”.

Segundo fontes das forças de segurança palestinas, a For­ça Aérea israelense teve como alvo pelo menos um local a les­te de Khan Younes, cidade no sul da Faixa de Gaza, enclave de dois milhões de habitantes. Não houve relatos imediatos de vítimas dos ataques. Os bombardeios na Faixa de Gaza foram retomados no início da madrugada de quarta-feira (16), também após o lança­mento de balões incendiários a partir de território palestino.

A volta dos bombardeios marcou o fim do cessar-fogo que durou apenas 25 dias. Este é o primeiro ataque israelense desde que o governo de coliga­ção, liderado por Naftali Ben­nett, tomou posse, substituin­do assim Benjamin Netanyahu do cargo de primeiro-minis­tro, que ocupou durante mais de uma década.

As hostilidades retomadas na madruga de quarta-feira ocorrem na sequência de uma marcha em Jerusalém Orien­tal, organizada por nacionalis­tas judeus e que marcou a vi­tória do país na guerra dos seis dias, em 1967. A Marcha das Bandeiras, ou o Dia de Jerusa­lém, foi o primeiro teste para o novo governo.

Israelenses radicais desfila­ram pelas ruas da Cidade Velha, numa clara provocação aos pa­lestinos de Jerusalém, que avi­saram que iriam retaliar e cum­priram a promessa, ao lançar balões que provocaram pelo menos 20 incêndios em Israel.

Na quinta-feira de ma­nhã, a polícia israelense usou granadas de atordoamento e canhões de água para disper­sar manifestantes palestinos diante da Porta de Damasco, em Jerusalém. Pelo menos oito palestinos foram detidos e de­zenas ficaram feridos.

O cessar-fogo alcançado pelas duas partes em 21 de maio tinha colocado um pon­to final a onze dias de guerra no mês passado. O conflito causou 260 mortos no lado palestino, incluindo crianças, adolescentes e combatentes, e 13 mortos em Israel, incluindo uma criança, uma adolescente e um soldado.