PROGRAMA DO LÉO

Alexandre Ferreira da Cos­ta, de 45 anos, conhecido como “Deco”, foi condenado a 20 anos de prisão por homicídio doloso – apesar de não ter a intenção de matar o motociclista Dani­lo Braga Eroico, de 33 anos, ele sabia dos riscos ao desrespeitar o sinal vermelho no cruzamento da avenida Meira Júnior com a rua Henrique Dumont, no Jar­dim Mosteiro, Zona Nordeste de Ribeirão Preto, na madruga­da de 27 de novembro de 2017.

Costa vai cumprir a pena em regime fechado. A defesa já recorreu da decisão, mas “Deco” deverá aguardar ao julgamento do recurso no Tri­bunal de Justiça de São Paulo (TJSP) atrás das grades. Nesta quarta-feira, 5 de dezembro, pouco mais de um ano após o acidente, ele saiu algemado do Tribunal do Júri e das Execu­ções Criminais do Fórum Es­tadual de Justiça e seria levado para uma unidade prisional.

O julgamento durou cerca de oito horas. Ao todo, a juíza Marta Rodrigues Maffeis Mo­reira, da 1ª Vara do Júri de Ri­beirão Preto, e as sete pessoas que formaram o júri popular acompanharam o depoimento de dez testemunhas de defesa e acusação, além do próprio réu. O designer gráfico e jogador do Botafogo Challengers, Da­nilo Braga Eroico, que comple­taria 34 anos na terça-feira (4), morreu vítima da imprudência de Costa.

Ele foi atingido pela Che­vrolet Spin prata de “Deco” na confluência da rua Henrique Dumont com a avenida Meira Júnior. A câmera de segurança de uma loja registrou o momen­to que sua moto colidiu com o carro do acusado, que não res­peitou o sinal vermelho. Com o impacto, Eroico foi violenta­mente arremessado ao solo. O motorista do veículo envolvido na ocorrência parou o carro e fugiu em seguida sem prestar socorro à vítima.

A imagem registrada na câmera de segurança foi dispo­nibilizada para a Polícia Civil, que iniciou as investigações com base na prova obtida pela gravação. O carro de “Deco” foi apreendido no mesmo dia, na casa da mãe, no Parque Avelino Alves Palma. A mulher contou que o filho disse que levaria o veículo a uma oficina mecânica no dia seguinte.

“Deco” já tem passagens pela Justiça por tráfico de drogas e homicídio do travesti conheci­do como “Paulete”, no Quintino Facci I, na Zona Norte da cida­de, em fevereiro de 2014 – foi absolvido em outubro deste ano, mas o Ministério Público Esta­dual (MPE) recorreu. Na época, Costa alegou à polícia que agiu em legítima defesa após se en­volver em uma briga.

Quando foi preso, Costa ale­gou que não parou para socorrer Eroico porque pensou ter batido em um carro e não viu a vítima no asfalto. “Eu pensei que fosse um carro que passou em mim, eu juro. Eu olhei no retrovisor e não vi, pensei que o carro tinha ido embora”, disse, negando que estivesse embriagado no mo­mento da colisão.

“O que aconteceu comigo poderia ter acontecido com qualquer pessoa, foi um aciden­te. Ninguém entende que foi um acidente de um segundo? Um segundo. Ele veio a 130 [qui­lômetros] por hora e bateu em mim”, justificou o motorista. Costa diz que não se entregou à polícia após a divulgação das imagens porque foi ameaçado e nega a tentativa de fuga, afir­mando que estava na rodoviária esperando o advogado, quando foi preso em 11 de dezembro.