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13 de agosto de 2022 | 16:32
Jornal Tribuna Ribeirão
MARCELLO CASAL JR./AG.BR.
Justiça

Justiça do DF acata ação contra Piquet

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal aceitou nesta segunda-feira, 11 de julho, a ação civil pública contra Nel­son Piquet pelos comentários racistas e homofóbicos contra Lewis Hamilton. O documen­to foi protocolado por quatro entidades, que pedem uma indenização no valor de R$ 10 milhões ao tricampeão de Fór­mula 1. O ex-piloto brasileiro agora tem 15 dias para apresen­tar uma contestação.

A ação foi ajuizada pela Edu­cafro (responsável por promover a inclusão de negros nas univer­sidades públicas e particulares), pelo Centro Santo Dias (órgão de defesa dos direitos humanos), pela Aliança Nacional LGBTI+ e pela Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas (ABRAFH). As entidades ci­tam “reparação de dano moral coletivo e dano social infligidos à população negra, à comu­nidade LGBTQIA+ e ao povo brasileiro de modo geral”.

“Estamos positivamente sur­presos. Até então, a Justiça acei­tava apenas uma ação por danos coletivos contra empresas, e não contra uma pessoa apenas. É uma inovação muito grande, que vai abrir um debate muito importante no país”, disse Frei David Santos, porta-voz do Educafro. Piquet causou polêmica ao chamar Hamilton de “neguinho” duran­te uma entrevista realizada em novembro do ano passado, mas que viralizou nas redes somente nas últimas semanas.

Ele ainda fez um comentário homofóbico para justificar a per­da do título de 2016 por Hamil­ton para Nico Rosberg. Segundo a BBC, a F-1 o baniu dos pad­docks da categoria. A Educafro espera que o caso possa ser resol­vido por meio de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), que pode ser celebrado com ou sem a condução do Ministério Públi­co. Na petição, a entidade pede ainda que Piquet seja obrigado a publicar em nota um pedido público de desculpas e pague multa no valor de R$ 100 mil caso volte a fazer declarações racistas ou homofóbicas.

“Esperamos que ele (Piquet) e a sua equipe tenham tranqui­lidade para tirarmos a ação do juiz, e que tenhamos uma con­versa bastante madura e respon­sável. Nosso foco é a construção do respeito e da equidade”, disse Frei David Santos. Segundo o porta-voz da Educafro, o caso também está sendo levado para uma entidade de juristas ne­gros nos Estados Unidos, com o nome ainda em sigilo, para que um segundo processo seja aberto também naquele país.

O valor da indenização se­ria usado na abertura de editais para órgãos defensores de pautas do movimento negro e LGBT+. Procurado, Piquet não respon­deu à reportagem. Ele foi fla­grado usando um termo racista para se referir a Lewis Hamilton, em um vídeo de 2021 que circu­lou nas redes sociais e ganhou repercussão somente no mês passado. É possível ouvir o ex-pi­loto chamando o heptacampeão de “neguinho” ao comentar um acidente envolvendo o inglês e Max Verstappen – namorado de sua filha, Kelly Piquet – durante o GP da Inglaterra.

Na ocasião, Piquet ainda comparou a batida entre os pilotos da Mercedes e da Red Bull com a polêmica colisão de Ayrton Senna e o francês Alain Prost, principal rivalidade da Fórmula 1 no passado. O caso de Senna ocorreu na largada do GP do Japão, em 1990, que garantiu o título daquele ano ao brasileiro. “O Senna não fez isso. O Senna saiu reto”, comparou.

Desde o começo da semana, o comentário do brasileiro foi duramente criticado por inter­nautas, relembrando o seu his­tórico de frases polêmicas. “Sur­preendendo um total de zero pessoas”, escreveu uma usuária do Twitter. “Imagina o que ele não deve falar em off”, escreveu outra. A filha do tricampeão de 69 anos, Kelly Piquet, é namora­da de Max Verstappen. O holan­dês visitou o ex-piloto em Bra­sília antes do GP de São Paulo, em novembro de 2021, que ter­minou com Hamilton no lugar mais alto do pódio. Porém, foi Verstappen quem terminou com o título ao fim da temporada.

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