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Ribeirão Preto
7 de julho de 2022 | 14:40
Jornal Tribuna Ribeirão
REPRODUÇÃO/INSTAGRAM @ANDREKIRVAITIS

Kiev confirma morte de brasileiro em combate

O Ministério das Relações Exteriores confirmou a morte do brasileiro André Hack Bahi, de 43 anos, que combatia ao lado das tropas ucranianas na região do Donbas, epicentro do conflito nas últimas semanas. A confirmação da morte do brasi­leiro chegou nesta quinta-feira, 9 de junho, por meio da Embaixa­da do Brasil em Kiev.

Natural de Porto Alegre (RS), André Hack Bahi faleceu em confronto com tropas russas em Severodonetsk, informou o Itamaraty, cidade que é o último bastião da resistência ucraniana em Luhansk, e que, de acordo com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, definirá o futuro de Donbas.

A morte de André é a pri­meira de um brasileiro a ser oficialmente confirmada no conflito iniciado com a inva­são da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro. O Itamaraty já havia informado na segunda­-feira (6) que a Embaixada em Kiev estava apurando os rela­tos de que um brasileiro teria morrido em conflito em terri­tório ucraniano, mas não havia confirmado a morte.

Na quarta-feira (8), a irmã do soldado, Tatiane Hack Bahi, afirmou que tinha esperanças de encontrar o irmão vivo. Amigos e combatentes que atuaram no front da guerra junto com André têm publica­do a notícia de sua morte nas redes sociais. Anteontem, o soldado brasileiro André Kir­vaitis fez uma homenagem ao seu colega brasileiro, onde pu­blicou um vídeo no Instagram.

“Mais um soldado anônimo, que como outros deu a vida em combate pela liberdade e pela paz, eu não vou deixar seu nome ser esquecido, obrigado por tudo irmão, você está na verda­deira vida agora, a terra é uma breve passagem perto da eterni­dade, você cumpriu sua missão com honra”, diz o texto.

Tanto o perfil de Kirvaitis como o de Bahi no Instagram divulgam um link da Legião Internacional de Defesa Terri­torial da Ucrânia, para a qual os brasileiros dizem ter se vo­luntariado. O site, lançado pelo governo ucraniano em março, dá instruções a estrangeiros de pelo menos 60 países de como se voluntariar.

Na aba dedicada ao Brasil, as instruções levam ao site e às informações de contato da Embaixada da Ucrânia. O pre­sidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que o des­tino de Donbas, que compre­ende as regiões de Donetsk e Luhansk, no leste, está sendo definido na batalha pelo con­trole de Severodonetsk, há se­manas foco dos combates en­tre russos e ucranianos.

Desde a mudança da estraté­gia russa, no final de março, os combates têm se concentrado na região leste da Ucrânia, onde forças separatistas pró-Moscou já ocupavam parte do território desde 2014, quando eclodiu a guerra civil ucraniana.

O Kremlin acumulou fra­cassos em seus planos iniciais de tomar grandes cidades, como Kharkiv e a própria capital, Kiev. Em Mariupol, cidade portuária na costa do Mar de Azov, foram necessárias semanas até que as forças russas quebrassem a resistência – em um dos epi­sódios mais marcantes, com­batentes ucranianos e civis se abrigaram por um longo perí­odo na central siderúrgica de Azovstal, uma das maiores da Europa, até que um acordo de rendição fosse acertado.

Avanços em outras áreas do leste também foram lentos, como na batalha de Severodo­netsk. A cidade industrial hoje praticamente destruída não tem grande importância estra­tégica, mas sua tomada pelos russos, além da vizinha Lisi­chansk, marcaria a conquis­ta da região de Luhansk por Moscou, uma das suas maiores vitórias no front.

O governador pró-Kiev de Luhansk, Serhi Haidai, afirmou que as tropas ucranianas preci­saram fazer recuos estratégicos. Anteriormente, declarou que 90% das estruturas da cidade estavam destruídas, incluindo quase 70% das habitações. Ze­lensky destaca o grande impac­to da invasão militar da Rússia, com milhões de pessoas fugin­do de seu país. A autoridade qualificou como a maior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra.

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