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29 de junho de 2022 | 12:14
Jornal Tribuna Ribeirão

Larga Brasa

A “loira da saudade”
Quem viveu no bairro dos Campos Elíseos sabe da história da “loira da avenida da Saudade”. Em tempos não muito idos, os jovens que por ali residiam ou em bairros coligados que eram considerados distantes do Centro precisavam transitar pela avenida da Saudade, onde se localiza o Cemitério da Sauda­de. Muitas histórias circulavam entre os que se aventuravam a frequentar as brincadeiras dançantes nas casas das colegas de escolas ou amigas e vizinhas. As festinhas eram regadas com o famoso cuba libre [rum com Coca Cola] e com azeito­nas e queijinhos que embalavam as noites da juventude da época. Quando havia um baile mais elaborado, colocavam ternos e gravata. A maioria tinha que transitar pela avenida, uma das poucas vias calçadas da área, mantendo ainda suas características originais com canteiro central, duas pistas e se iniciando na rua Capitão Salomão, perto da Santa Casa e findando no posto São João, perto do cemitério. Não havia Uber e nem 99. Os ônibus do Achê tinham horário limitado para percorrer as vias da cidade.

Passar pelo cemitério era enfrentar a loira esvoaçante
Muitas historias e também lendas surgiram naquela época. Muitos, depois de beberem cuba libre juravam que viam coisas estranhas no campo santo e o que mais amedrontava a garo­tada era a história da loira que vivia no endereço da avenida da Saudade 1.775 [naqueles anos não era este o número, mas hoje consta no Google]. Muitos afirmavam que retornavam de suas aventuras juvenis pela “madruga” quando encontraram uma linda loira entre o Asilo Padre Euclides e o Cemitério. Mulher linda, vestido leve e esvoaçante que iniciava conver­sa com os jovens e os convidava para que fossem para sua casa. Eles perguntavam o endereço e ela dizia: -“É aqui, no Cemitério”, e desaparecia. Pernas para que as quero, diziam os assustados garotos e também fugiam para qualquer lado daquela avenida.

Corajoso
Um dos contos circulantes era o de que um garoto de seus 17 anos resolveu encarar o convite e que ao chegar ao portão com lanças ponteagudas a tal loira passou pelo portão de­fronte ao majestoso portal do Educandário da avenida Quito Junqueira sem ser impedida pelos grossos ferros e lanças. Aí o “macho” desabou. Foi encontrado desacordado perto de uma oficina de molas para caminhões que existia na Saudade bem defronte a ultima morada de todos nós e da loira também. Não havia internet, celulares e nem TV. Somente o rádio com sintonizador fixo na Rádio Nacional do Rio de Janeiro com programas de “Jerônimo, O Herói do Sertão”, o “Anjo” e com a famosa novela “O Direito de Nascer”. A imaginação fértil dos jovens imberbes e sob o efeito de hormônios poderosos com­pletava qualquer história.

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