Larga Brasa

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Registros e conexões secretas
O setor de água e esgoto de Ribeirão Preto em épocas dis­tantes pertenceu à iniciativa privada. O município houve por bem incorporá-lo ao setor público, por julgar que eram servi­ços essenciais, para garantir a saúde da população. As redes de água e esgoto eram de responsabilidade de um empregado que detinha em sua cabeça, sem mapas e nem se pensava em computadores, todas as interligações e registros que faziam “manobras” para garantir o abastecimento do precioso líqui­do nos bairros mais afastados. Como o crescimento não era rápido, os canos de ferro para que se levasse a água às casas em pequenas ruelas eram de bitola estreita e os poucos reser­vatórios de alguns poços semi-artesianos não possuíam os modernos padrões de modernidade para assegurar a distribui­ção de forma coordenada. Por conta da lei da gravidade, o que saia do reservatório primeiro preenchia a parte baixa da rede e somente depois chegava aos pontos mais altos, provocando as reclamações dos que residiam próximo dos poços e caixas, que diziam morar perto da água e ela faltar constantemente.

Registros
Os registros eram mantidos em segredo por parte de alguns funcionários do Daet, que depois de incorporar a telefonia passou a ser Daerp. Quando havia necessidade de proceder ao desvio do liquido para um bairro ou outro uma caminhoneta saia do órgão e se dirigia para os locais de manobras muda­va-se o direcionamento e a falta do precioso líquido motivava reclamações. Tudo repercutia nas urnas, nas eleições.

Esgoto com manilhas
O esgoto era concretizado com a colocação de rede de mani­lhas que quebravam e muitas vezes tinham ligações com rede de água, cujos canos se desgastavam e faziam uma ligação espúrias. Mesmo assim os governantes deixavam de lado to­dos os postulados da higiene e saúde e não trocavam as redes. Continuávamos ainda a manter sob segredo tais redes e cone­xões entre elas que somente alguns tinham nas suas cabeças.

Água de mina
Havia uma rede grande que vinha de uma mina da Faculdade de Medicina, conhecida como “Vascão” que chegava no Monte Ale­gre e a sua vazão era constante. Um jovem vice-prefeito que as­sumiu a Prefeitura na ausência do titular logo no primeiro dia de sua posse foi questionado pelos moradores do Monte Alegre, pois nunca havia faltado água e naquele exato dia estava faltando. O jovem chefe do Executivo, ainda de terno da posse, chamou o di­retor do Daerp e ambos foram para a rede do tal Vascão. Percor­reram todos os tubos e caixas de visita e nada parecia anormal. Não havia celular e nem outro meio de comunicação a não ser os orelhões, quando os havia. Foram até a um local e o diretor do Daerp telefonou para sua assessoria e perguntou se alguém havia dado meia volta no registro. Da sua sala o técnico informou que havia dado volta inteira. Ele ficou bravo e disse: “Desta for­ma você tirou a água daqui e fez com que as torneiras de outro bairro mais distante estourassem”. Regularizada a situação, fi­cou patente que somente alguns detinham o saber das secretas ligações e conexões da rede enterrada em Ribeirão Preto. Atual­mente o Daerp está mudando as redes e deixando no papel e nos computadores para no futuro se proceder as mudanças corretas e legais, as claras. Era uma prática conhecida como “auxilio de­semprego”, pois quem detinha o conhecimento não era mandado embora.

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