Lincoln Fernandes é reeleito na Câmara

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FOTO: ALFREDO RISK

Pela primeira vez na atual le­gislatura (2017-2020), um verea­dor foi reeleito presidente da Câ­mara de Ribeirão Preto. Nesta quinta-feira, 28 de novembro, Lincoln Fernandes (PDT) foi mantido no cargo. Ele recebeu 19 votos dos colegas de Legis­lativo e venceu a disputa com Fabiano Guimarães (DEM), escolhido por cinco parla­mentares. Um racha no antigo Grupo dos 17 (G-17) possibili­tou a vitória do pedetista.

Houve mudança na com­posição da Mesa Diretora da Câmara: O primeiro vice-pre­sidente será Alessandro Maraca (MDB), que trocou de posto com Orlando Pesoti (PDT), elei­to segundo secretário. Paulinho Pereira (Cidadania) será o se­gundo vice-presidente e Renato Zucoloto (PP) vai ocupar a pri­meira secretaria. Maraca estava cotado para ocupar a segunda secretaria no lugar de Waldyr Villela (PSD), que concordou em não entrar na disputa.

Adauto Honorato, o “Mar­mita” (PR), e Otoniel Lima (PRB) estavam ausentes por problemas de saúde. Marco Antônio Di Bonifácio, o “Boni” (Rede), votou em Paulinho Pe­reira para presidente, mas ele nem era candidato ao cargo.

A reeleição de Lincoln Fer­nandes e a composição da nova Mesa Diretora do Legislativo foi marcada por acusações e repleta de reviravoltas protagonizadas pelo grupo de 17 parlamentares que comanda a Casa de Leis há três anos, desde 2017.

A articulação foi uma ma­nobra para barrar o nome de Fabiano Guimarães à presidên­cia. No ano passado, quando da eleição de Lincoln Fernandes para presidente, o G-17 fechou acordo e consolidou o nome do democrata para ocupar a pre­sidência em 2020. Entretanto, com a proximidade da eleição, o grupo começou a rachar. Um dos argumentos de quem de­fende a ruptura seria a suposta “postura radical” de Guimarães em relação a assuntos internos e administrativos – poderia colo­car a Câmara na berlinda políti­ca em pleno ano eleitoral.

Em outubro de 2020 serão realizadas eleições para escolha de prefeitos e vereadores nos 5.570 municípios do País. O segundo motivo seria a insis­tência de alguns parlamentares em fazer parte da Mesa Direto­ra. Entre eles estavam “Marmi­ta” e Maurício Vila Abranches (PTB), que chegou a cobrar acintosamente de Guimarães a indicação de seu nome. Como o parlamentar respondeu publi­camente que as escolhas dos ou­tros nomes eram competência do grupo e não dele, a oposição ao democrata ganhou força.

As discussões – por várias vezes acaloradas e com direito a gritos sobre cumprir ou não o acordo – acabaram desper­tando o interesse do grupo mi­noritário da Câmara, formado por dez parlamentares. Como alguns mantêm apenas relações republicanas com Guimarães, eles se uniram aos majoritários e articularam uma ampla coalizão para manter Lincoln Fernandes na presidência.

Em troca do apoio e dos votos, o G-10 ganhou o direito a indicar dois vereadores para a futura Mesa Diretora: Rena­to Zucotolo e Paulinho Pereira. Nem todos os parlamentares do grupo minoritário participa­ram destas negociações. Nove dos dez vereadores da chamada oposição no Legislativo votaram em Fernandes – menos “Boni”. Além de Pereira e Zucoloto, es­tão na lista Marcos Papa (Rede), Glaucia Berenice (PSDB), Ber­tinho Scandiuzzi (PSDB), Mau­rício Gasparini (PSDB), Elizeu Rocha (PP), João Batista (PP) e Rodrigo Simões (PDT).

Também votaram em Lin­coln Fernandes os situacionistas Isaac Antunes (PR), Maurício Vila Abranches (PTB), Jean Co­rauci (PDT), Nelson Stefanelli (“Nelson das Placas”, PDT), Waldyr Villela (PSD), Igor Oli­veira (MDB) e Marinho Sam­paio (MDB), além de Pesoti e Maraca. Votaram em Fabiano Guimarães o próprio democra­ta, André Trindade (DEM) – lí­der do governo Duarte Noguei­ra Júnior (PSDB) no Legislativo –, Jorge Parada (PT), Luciano Mega (PDT) e Paulo Modas (Pros). O candidato derrotado agradeceu a lealdade dos colegas que votaram nele. Já presidiram a Câmara na atual legislatura Rodrigo Simões (PDT), em 2017; Igor Oliveira, em 2018; e agora Fernandes, em 2019.

O futuro presidente terá de administrar o dia a dia de uma Câmara com 93 servidores con­cursados e 135, o que acabará tomando grande parte do seu tempo em pleno período eleito­ral. O orçamento previsto para 2020 é de R$ 66 milhões. Em ou­tubro, a Mesa diretora da Câma­ra anunciou que vai diminuir o percentual a que tem direito no Orçamento Municipal do pró­ximo ano. Segundo o presidente do Legislativo, Lincoln Fernan­des, do percentual de 4,5% a que tem direito constitucionalmen­te, haverá uma redução para 3,89%. Com isso, o valor do re­passe pela prefeitura cairá de R$ 77 milhões para R$ 66 milhões.

No ano passado, a atual Mesa Diretora da Câmara foi eleita com 17 votos a favor e dez contra. Lin­coln Fernandes venceu Marcos Papa e foi eleito presidente para o mandato de um ano. Otoniel Lima é o primeiro vice-presi­dente – deverá deixar o cargo até quarta-feira, 4 de dezembro, por decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP), sendo substi­tuído por Luiz Antônio França (PDT) –, Paulo Modas (Pros) o segundo vice, Jean Corauci (PDT) é o primeiro secretário e Adauto Honorato, o “Marmita” (PR), o segundo.

Mesa Diretora da Câmara para 2020
Presidente
Lincoln Fernandes (PDT)
Vice-presidentes
Alessandro Maraca (MDB)
Paulinho Pereira (Cidadania)
Secretários
Renato Zucoloto (PP)
Orlando Pesoti (PDT)
Votaram em Fernandes
Lincoln Fernandes (PDT)
Alessandro Maraca (MDB)
Paulinho Pereira (Cidadania)
Renato Zucoloto (PP)
Orlando Pesoti (PDT)
Waldyr Villela (PSD)
Marcos Papa (Rede)
Igor Oliveira (MDB)
Marinho Sampaio (MDB)
Glaucia Berenice (PSDB)
Bertinho Scandiuzzi (PSDB)
Maurício Gasparini (PSDB)
Elizeu Rocha (PP)
João Batista (PP)
Rodrigo Simões (PDT)
Nelson Stefanelli, o “Nelson das Placas” (PDT)
Jean Corauci (PDT)
Isaac Antunes (PR)
Maurício Vila Abranches (PTB)
Votaram em Guimarães
Fabiano Guimarães (DEM)
Andre Trindade (DEM)
Luciano Mega (PDT)
Paulo Modas (Pros)
Jorge Parada (PT)
Votou em Pereira
Marco Antônio Di Bonifácio, o “Boni” (Rede)
Não votaram
Adauto Honorato, o “Marmita” (PR)
Otoniel Lima (PRB)

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