Mais de 80 milhões tem uma compra parcelada

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Dividir o valor de uma com­pra em várias prestações é um hábito comum do consumidor brasileiro, mas é preciso ter cui­dado para que o uso do crédi­to não se transforme em uma armadilha para o bolso. Um levantamento feito pela Confe­deração Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em todas as capitais reve­la que mais da metade dos bra­sileiros adultos (53%) possuía alguma compra parcelada no último mês de março.

Isso significa que, aproxima­damente, 82,7 milhões de brasi­leiros estão com ao menos parte do orçamento comprometido para pagar compras feitas no cartão de crédito, cartão de loja, crediário ou cheque pré-datado. Quase um terço (31%) das pes­soas ouvidas disse estar livre de compras parceladas, mas outros 16% não souberam responder quantas prestações tiveram para pagar no último mês. Em média, os consumidores que possuem alguma compra parcelada de­morarão cinco meses para que as prestações sejam totalmente quitadas. Esse tempo mais do que dobra quando se trata de empréstimos (11 meses) e dos financiamentos (12 meses).

Um dado preocupante constatado pelo levantamento é que 13% dos entrevistados não acham necessário fazer qual­quer tipo de análise ou avaliação antes de contratar uma moda­lidade de crédito. Entre os que tomam algum cuidado, os mais comuns são ter conhecimento a respeito do próprio orçamento para ter certeza de que será pos­sível pagar as prestações mensais (35%), informa-se a respeito dos juros (35%) e ter ciência dos va­lores de todas as tarifas cobradas (28%).

A pesquisa revela que na hora de decidir em quantas ve­zes a compra será parcelada, os consumidores mostram-se di­vididos: 39% escolhem o menor número de prestação possível, ao passo que 34% optam sempre pelo maior número de parcelas, caso não haja cobrança de juros. Na avaliação do educador finan­ceiro do SPC Brasil, José Vig­noli, os instrumentos de crédito podem ser um aliado do consu­midor, desde que utilizados de forma planejada.

“O crédito permite às pes­soas ampliarem seu poder de compra adquirindo produtos que levariam anos para serem comprados à vista. O problema é que se ele for utilizado sem res­ponsabilidade e planejamento, essa dívida pode ser nociva para a vida financeira do consumi­dor. Antes de comprometer par­te de sua renda por vários meses, o consumidor deve ponderar se realmente precisa do item dese­jado ou se trata de uma compra por impulso. É preciso avaliar ainda se ele terá condições de pagar as parcelas sem prejudicar seu orçamento mensal, não se descuidando de analisar tarifas e taxas de juros”, orienta Vignoli.

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