O “intelectual” que guia os passos do novo governo só se tornou uma figura conhecida e discutida depois do surgimento do bolsonarismo. Até então era um ilustre desconhecido até nos meios acadêmicos. Nunca ostentou um diploma escolar sequer, nem mesmo do Ensino Fundamental. Mas se arvora em se apresentar como astrólogo, esotérico, místico, ganhando fama por oferecer um curso virtual de filosofia com teorias delirantes para o gaudio de seus discípulos tão lunáticos quanto o mestre. “A terra é plana” é um dos seus ensinamentos. Ele saiu do limbo há anos, mas só foi notado por muitos agora, depois que indicou os ministros Ernesto Araújo para as Relações Exteriores e o colom­biano Ricardo Vélez para a Educação.

Verdadeiro psicopata, já disse que a Pepsi é feita de fetos abortados, que Galileu e Newton eram burros e ele próprio, um gênio, acredita que é o Sol que gira em torno da Terra (geocentrismo) como se acreditava na Idade Média. Acredita que as vacinas não devem ser tomadas pelas crianças e que devemos deixá-las morrer. O sujeito berra agressões mais abjetas contra refugiados de guerra, chama todos os milhões de brasileiros que discordam de suas charlatanices de “comu­nistas”. Suas idiotices cruzam sempre com doutrinas e orde­namentos que se aproximam daquelas “verdades” professadas por Damares Alves, a ministra evangélica da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Olavo de Carvalho é o grande divulgador de uma teoria fundamental do bolsonarismo: a esquerda domina a impren­sa, as universidades e a elite financeira do Brasil, cuja missão é “destruir a família e os valores tradicionais”. E só o retorno de um governo autoritário pode salvar o país. Toda essa teo­ria conspiratória seria parte de um grande complô mundial, que seus adeptos denominam de “marxismo cultural”.

Olavo fez carreira como polemista, quando ganhou algum espaço como articulista em jornais e revistas brasileiros nos anos 90. Reaproximou-se da ala mais conservadora da Igreja Católica, a mesma que anda criticando o Papa Francisco. Mas, antes, o Olavo também converteu-se ao islamismo e chegou a ser casado com três mulheres muçulmanas ao mesmo tempo.

Ele e seus seguidores perderam qualquer traço de hu­manidade, a ponto de afirmarem que os portugueses não escravizaram os negros e nem pisaram na África! Pretendem reescrever a História. Contaminados pelo mestre com rações diárias de ódio, preconceito e intolerância, tudo isso travesti­do de “cristianismo”, e de “filosofia”, seus seguidores, encon­tradiços nas redes sociais, já passaram de todos os limites. Suas citações pseudofilosóficas são absolutamente patéticas para quem possui mínimos conhecimentos de Filosofia e de Semiótica. Em entrevistas, ele diz não pertencer a essa nova direita e até critica correligionários, dá conselhos e costura alianças para o novo governo.

Olavo de Carvalho mora no pacato estado da Virgínia Ocidental, nos EUA. Sem botar os pés no Brasil, ele hoje fala diretamente a 500 mil seguidores nas redes sociais. É elogiado por figuras como Janaína Paschoal, Alexandre Frota, Lobão e, claro, Jair Bolsonaro e seus filhos. A linguagem taxativa e recheada de palavrões, mistura conceitos aparentemente coerentes sobre filosofia, história e política com declarações completamente esdrúxulas.

É o nosso filósofo que legitimou o racismo e o ódio, alegando que esses sentimentos podiam ser cristãos. Chega a ser obsceno. As referências que menciona não resistem a uma checagem mais atenta. São pensamentos em sua maioria descolados dos fatos. E imaginar que um bruxo desses é que é a grande referência intelectual do governo que foi eleito pela maioria dos eleitores.

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