Ministros do Supremo Tri­bunal Federal (STF) atuaram nos bastidores, durante o fim de semana, para que o Senado recuasse da abertura de uma Comissão Parlamentar de In­quérito (CPI) para investigar o “ativismo judicial” em tri­bunais superiores. Apelidada de “Lava Toga”, a CPI era um pedido do senador Alessandro Vieira (PPS-SE), mas foi enter­rada após três senadores retira­rem o apoio.

Katia Abreu (PDT-TO), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Eduardo Gomes (MDB-TO), que assinaram o requerimento num primeiro momento, desis­tiram antes que a comissão fosse instalada. O Estado apurou que ministros do STF trataram do assunto diretamente com sena­dores no fim de semana.

Segundo Kátia, ela falou por telefone com o ministro Gilmar Mendes antes de recu­ar. Para a senadora, este não é o momento para abrir uma crise institucional no País. Em entre­vista ao Estado, Vieira disse que houve ameaça de retaliação por parte de ministros.

Na segunda, 11, o presiden­te do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), confirmou o arqui­vamento por falta de assinaturas necessárias – é preciso o apoio de, no mínimo, 27 dos 81 sena­dores para a comissão ir adiante. Depois do arquivamento, o pre­sidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, elogiou a postura de Alcolumbre no episódio. “O arquivamento pelo presidente do Senado Davi Alcolumbre mostra a habilidade em evitar conflitos entre os Poderes em um momento em que o País precisa de unidade para voltar a crescer e a se desenvolver”, afir­mou ao Estado.

Nos bastidores, porém, in­tegrantes do Supremo veem as digitais do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, nas movimentações do sena­dor Alessandro Vieira. Para membros do STF ouvidos pela reportagem sob a condição de anonimato, a “CPI da Lava Toga” – voltada, em tese, para investigar a atuação de tribu­nais superiores – mirava, na verdade, a Suprema Corte.

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