Mural de Marielle é alvo de vândalos

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ALFREDO RISK

O mural com o retrato de Marielle Franco, vereadora do Psol assassinada em 14 de mar­ço de 2018, no Rio de Janeiro, foi pichado com insultos. Sobre o rosto da militante dos direitos dos negros e das mulheres foram grafadas, com tinta vermelha, as palavras “vaca” e “foi tarde”.
O grafite foi concluído há dois anos, em 23 em maio de 2018, pelo artista Áureo Melo, o “Lobão”, em um muro da avenida Maurílio Biagi, na Zona Leste de Ribeirão Preto, como homenagem à política. O vandalismo gerou repercus­sões em redes sociais.

A advogada Maria Eugênia Biffi, presidente da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da 12ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB de Ribeirão Preto (OAB-RP), vai pedir aos órgãos policiais a apu­ração da autoria.

Segundo ela, a mensagem deixada pelo autor do vanda­lismo reproduz condutas ma­chistas e discriminatórias, que atentam contra princípios cons­titucionais e os direitos das mu­lheres. “A mensagem pichada afronta a história dos movimen­tos sociais e das lutas das mino­rias”, diz em nota

“Marielle era parte signi­ficativa dos ganhos políticos de mulheres, negros e LGBTI”, conclui. A Secretaria Municipal da Cultura do município vai contatar o artista, que é de Ribei­rão Preto, mas tem ateliê no Rio de Janeiro, para refazer o grafite.

“Lobão” é um artista con­sagrado pela excelência de seus gigantescos murais realistas e a sensibilidade de suas mensa­gens, muitas vezes subliminares. O tema do painel da Maurílio Biagi é “Respeito às diferenças”, e o instigou a reproduzir imagens que traduzem o povo brasileiro: o índio, o negro, o transexual, o branco, entre outros.

Marielle franco é o rosto central, mas lá também estão figuras conhecidas dos ribei­rão-pretanos, como o tatuador Kelsen (interpreta o diabo na Caminhada do Calvário), Elie­zer (o MC Leser do Coletivo Pontão Sibiruna, trabalha com inclusão social) e Liniker (can­tora transgênero).

Na época da produção do mural, “Lobão” conversou com o Tribuna. “Sou ribeirão-preta­no, não estarei aqui no aniversá­rio da cidade (19 de junho), mas deixo este presente para a minha cidade natal. Há dez anos moro no Rio de Janeiro. Já passei por Rio das Ostras, Cabo Frio e hoje moro na capital. Este trabalho aqui em Ribeirão Preto é volun­tário, conseguimos apoio apenas para as tintas”, disse o artista, hoje com 36 anos.

Marielle Franco e o moto­rista Anderson Gomes foram assassinados a tiros dentro do carro dirigido por ele, no Rio de janeiro, onde ela exercia o mandato de vereadora pelo Psol. Dias antes de morrer, ela havia denunciado a violência policial em comunidades cariocas.

O PM reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz foram presos pelos crimes. A Polícia Federal ainda apura se eles agiram a mando de alguém. A morte causou comoção nacional, pois a par­lamentar – formada em Socio­logia – era uma liderança das comunidades cariocas,

Sempre defendeu negros, mãe solteiras e minorias como grupos LGBTs do Complexo da Maré. A socióloga foi eleita vereadora com 46 mil votos. Os acusados respondem por duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, emboscada, sem dar chance de defesa às vítimas.