Jornal Tribuna Ribeirão

Museu de Arte – Marp completará 30 anos em 2022

FL PITON/ARQUIVO

Neste sábado, 15 de janei­ro, das dez às 16 horas, o Mu­seu de Arte de Ribeirão Pre­to Pedro Manuel-Gismondi (Marp), inaugurado em 22 de dezembro de 1992, dará iní­cio às comemorações de seus 30 anos de existência, apre­sentando ao público a ex­posição “Você consegue me ver?”, com entrada gratuita.

Concebida por Nilton Campos, a exposição será composta por uma seleção de 16 obras dos artistas Ana Nitzan, Ana Sant’Anna, Clau­dio Cretti, Ermelindo Nardin, Ernesto Neto, Gabriel Pessoto, Higo Joseph, Jimson Vilela, Nicole Kouts, Pedro Manuel­-Gismondi e Roberta Segura.

As obras selecionadas per­tencem ao acervo do Marp e foram doadas ao museu nos últimos quatro anos. O títu­lo da mostra “Você consegue me ver?” é uma apropriação do título de um vídeo que abre a exposição. Este vídeo, realizado pela artista paulis­tana Nicole Kouts em 2020, é um autorretrato baseado em dois tempos, dois espaços, duas imagens e uma pessoa.

“Através das obras apre­sentadas, a mostra nos pro­porciona questões muito atuais, relacionadas ao corpo, à identidade, à rotina, ao iso­lamento, às relações, aos sen­timentos, ao contexto políti­co, ao transitório, à reflexão e seus desdobramentos”, diz Nilton Campos.

“O título da exposição também nos instiga a uma ampla reflexão sobre as ins­tituições culturais, que re­sistem às adversidades, não são valorizadas e muitas ve­zes, com pouca visibilidade”, afirma o diretor do Museu de Arte de Ribeirão Preto Pedro Manuel-Gismondi.

Ainda no dia 15, os visi­tantes do Marp ganharão um exemplar do livro “O mundo não escrito”, do artista Jimson Vilela, que realizou recente­mente um projeto expositivo no museu e está com uma obra na exposição de ani­versário. Neste mesmo dia, o público também poderá con­ferir as obras da exposição do 46° Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional-Contempo­râneo (Sarp), em seu último dia de visitação.

O Museu de Arte de Ri­beirão Preto Pedro Manuel­-Gismondi fica na rua Barão do Amazonas nº 323, em frente à praça Carlos Gomes, no Centro Histórico de Ri­beirão Preto. Abre de terça á sexta-feira, das 14 horas às 17h30, com permanência permitida até as 18 horas.

Aos sábados, abre das dez às 16 horas. Mais informa­ções pelo telefone (16) 3635 2421, ou pelo e-mail [email protected] cultura.pmrp.com.br. O Mu­seu de Arte de Ribeirão Preto Pedro Manuel-Gismondi está sob a responsabilidade da Se­cretaria Municipal de Cultu­ra e Turismo, comandada por Isabella Pessotti.

A rica história cultural do Marp
Após ampla reforma, o Museu de Arte de Ribeirão Preto Pedro Ma­nuel-Gismondi foi inaugurado em 1992 com o objetivo de reunir todo o acervo de artes plásticas da prefeitura, obras do Salão de Artes (Sarp) e do Salão Brasileiro de Belas Artes (Sabbart) adquiridas pelo poder público, bem como as doadas, como o conjunto de produções dos artistas Leonello Berti e Nair Opromolla. Em 2000, recebeu o nome de Pedro Manuel-Gismondi.

Conta com cerca de 1,5 mil obras de todas as linguagens em seu acervo – esculturas, quadros, artesanato, intervenções etc.. Ponto de encontro para quem aprecia arte moderna, o Marp viveu seu auge nos anos 1990, quando abrigou exposições de artistas como Salva­dor Dali, Candido Portinari, Lasar Segall, Tomie Ohtake e Arthur Bispo do Rosário. Até o guitarrista dos Rolling Stones, Ron Wood, expôs suas pinturas no museu, em 1996.

Leda Catunda é a artista com mais trabalhos no espaço, onde come­çou sua carreira, há 35 anos. Desde o começo dos anos 2000, doa uma cópia de todas as gravuras que faz – já são 20 doações. Atu­almente, é o único municipal em condições plenas de visitação – os museus Histórico, do Café, da Imagem e do Som (MIS) e da Segunda Guerra Mundial ou estão fechados, ou atendem precariamente.

Durante o ano letivo, graças a uma parceria entre as secretarias mu­nicipais de Cultura e Educação, milhares de alunos da rede pública de ensino têm a oportunidade de conhecer o espaço e suas obras. O prédio onde está instalado o Marp foi construído no início do século passado para ser a primeira sede da Sociedade Recreativa de Ribei­rão Preto.

O projeto para a sede da Recra é de autoria do arquiteto Affonso Geribello e a execução da obra pelo construtor Vicente Lo Giudice. O baile inaugural aconteceu em 31 de dezembro de 1908. Aproximada­mente em 1922, o terreno ao lado da sede foi adquirido para cons­trução da primeira ampliação, por volta de 1924. Novas adaptações para melhoria das acomodações do prédio, para conforto dos sócios, aconteceram em 1935.

Em 1945, foi aprovado pelo Conselho Deliberativo da Sociedade Recreativa a construção de uma nova sede em substituição ao antigo prédio, que deveria ter sido demolido, pois foi considerado inadequa­do às necessidades do momento – a demolição não ocorreu e em 1951 a Recra instituiu um concurso para projeto de construção da nova sede social em terreno da sede de campo.

Em 1956, a antiga sede da Sociedade Recreativa, após reforma efe­tuada pela prefeitura, passou a ser ocupada pela Câmara de Ribeirão Preto, que funcionava desde 1917 no Palácio Rio Branco, juntamente com o Executivo. No piso térreo do prédio foram instalados a sala das comissões, da secretaria, dos secretários, da presidência, o arquivo e o bar. No piso superior localizava-se a sala de jornalistas, dos vereadores e a das sessões. A Câmara ficou no prédio até 1984, quando foi transferida para o pavimento superior da Casa da Cultura.

Após uma grande reforma no antigo prédio da Recreativa e, poste­riormente, Câmara, foi inaugurado, em 22 de dezembro de 1992, o Museu de Arte de Ribeirão Preto, que iniciou suas atividades com grandes dificuldades estruturais, mas imprimiu ao longo de seu percurso um perfil voltado à arte contemporânea, com atividades di­recionadas a formação de público e recebendo importantes mostras históricas.

O Marp sediou várias exposições com representativos artistas brasi­leiros, como Alfredo Volpi, Arthur Bispo do Rosário, Bassano Vaccari­ni, Cristina Barroso, Dudi Maia Rosa, Edouard Fraipont, Fábio Miguez, Francisco Amêndola, Franz Weissmann, Iberê Camargo, Laura Vinci, Leda Catunda, Luiz Hermano, Odilla Mestriner, Paulo Whitaker, Pedro Manuel-Gismondi, Rosana Monnerat, Sandra Cinto, Sérgio Romagno­lo, Sérgio Sister, Siron Franco, Tomie Ohtake e tantos outros.

Dentre tantos projetos coordenados pelo Marp, destaca-se o Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional-Contemporâneo (Sarp), um signi­ficativo evento nacional, por onde já passaram muitos artistas, assim como já impulsionou a carreira de jovens talentos.

Provenientes do Sarp, os prêmios aquisitivos das edições anuais do salão possibilitaram ao museu um significativo acervo de artistas como, por exemplo, Alex Fleming, Ana Maria Tavares, Beralda Alten­felder, Del Pilar Sallum, Ester Grinspum, Georgia Kyriakakis, Iolanda Gollo Mazzotti, José Damasceno, Leon Ferrari, Marcelo Rocha, Márcia Pastore, Márcia Xavier, Marcos Benjamim, Marina Salene, Maurilima, Pazé, Regina Johas, Rosângela Rennó, Vânia Mignone, entre outros.

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