Na educação se constrói a cidadania

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A educação repressora e violenta que tivemos no passado não foi interiorizada, e por conta disso não produziu bons frutos. Bastou um afrouxamento no sistema, e um pouco de liberdade aparecer no horizonte, para que toda a insatisfação que estava reprimida romper o casulo e poluir o cotidiano.

Aquele povo gentil e cordial aos poucos foi se transfor­mando, e a educação informal e formal das nossas crianças saiu do oito para o oitenta em poucas décadas. O compor­tamento dos pais na educação de seus filhos passou a ser leniente, pois não queriam que seus filhos passassem as mesmas agruras que tinham passado, e essa educação sem limites, apenas com direitos e nenhum dever, é a porta aberta para um futuro sombrio.

E essa educação que não conhece limites chegou às esco­las, que não estavam preparadas para essa nova demanda, e os efeitos maléficos se reproduziram rapidamente. A escola, que deveria ser um lugar de aprendizado e construção da ci­dadania, aos poucos vai refletindo os conflitos comportamen­tais que impera na sociedade, onde o desrespeito é a bandeira do anarquismo.

As mudanças tecnológicas do século 21 estão avançan­do rapidamente e modificando a vida da sociedade, mas o comportamento humano está trafegando na contramão, pois ao invés de olhar para frente e avançar, olha o passado para retroceder.

Uma educação holística e alicerçada no amor é a base para construirmos uma sociedade fraterna, que busque, o tempo todo, a paz e a valorização do ser humano, mas o caminho da luz ofusca as mentes aprisionadas pelas trevas, que preferem o sofrimento para resolver os conflitos dos dias atuais.

Quando vejo psicólogos e pseudos especialistas em educa­ção corroborarem com o uso da violência física e psicológica na educação das crianças, fico preocupado. Os comportamen­tos inadequados das nossas crianças e jovens não se resolvem medicamentosamente, e nem com as palmadas, que é a porta que se abre para violências mais contundentes.

A educação é um ato social, que acontece através da ob­servação, e a ferramenta mais eficaz é amor. Os maus exem­plos que os adultos proporcionam para as novas gerações são absorvidos integralmente, e causam estragos incomensuráveis no comportamento de crianças e adolescentes, mas a velha máxima do faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço é a norma padrão da educação informal.

A educação acontece desde a chegada da criança a este mundo, e as regras comportamentais, que incluem respeito, amor ao próximo e limites têm que ser interiorizadas, mas isso não acontece por osmose, à prática tem que ser exempli­ficada pelo mundo dos adultos. Ficar repetindo aquela educa­ção pretérita, incluindo medicamentos que tratam a persona­lidade, não vai solucionar os dilemas do cotidiano atual.

Se a educação do passado tivesse a qualidade que mui­tos apregoam, as leis seriam respeitadas por todos, e não teríamos um índice tão alto de mortes no trânsito, e a causa principal é a falta de educação e de respeito.

Para educarmos nossas crianças e jovens é preciso um novo comportamento – é preciso ter cidadania.