Na pior fase da pandemia, o Dia Mundial da Saúde!

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Passamos pelo dia 07 de abril, Dia Mundial da Saúde, cria­do em 1948 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), no momento em que o nosso povo enfrenta a pior fase da pande­mia, com colapso no sistema público de saúde, com recorde de mortes e casos, com novas variantes mais perigosas do coronavírus, enfim, com a crise mostrando-se longe do fim.

Depois de uma queda expressiva no número de casos no final do ano passado, o Brasil relaxou com as medidas de distanciamento social, as autoridades não se entende­ram ou continuaram adotando uma atitude negacionista em relação a doença. Tivemos festas de final de ano e, posteriormente, no Carnaval, que mesmo oficialmente cancelado, provocou concentração de dezenas de milhares de pessoas em cidades brasileiras.

O resultado foi que o número de novos casos e mortes explodiram, levando a um colapso do sistema de saúde em todo o País. De cerca de 600 mortes diárias observadas em meados de novembro de 2020, chegamos ao final de março ao assustador número de 3.800 mortes por dia, e poderemos chegar a cinco mil, dado o descontrole total da doença em todo o território nacional.

Com a aceleração do processo de vacinação nos Esta­dos Unidos nos próximos meses, o Brasil poderá assumir a dianteira nessa macabra corrida, em decorrência da len­tidão no processo de vacinação e do surgimento de novas variantes do vírus em território brasileiro, mais transmissí­veis e mais letais.

O Ministério da Saúde não conseguiu ainda promover, em larga escala, os testes para identificar os portadores do vírus. Muito menos conseguiu quantidade suficiente de vacinas para imunizar os brasileiros. Para piorar, os governos ainda travam completamente na hora de comprar reagentes para testes, equipamentos de proteção para os trabalhadores, respiradores, ventiladores e insumos como luvas, máscaras e outros itens para cuidados e atendimento da população.

Especialistas preveem que a situação se tornará mais crítica entre a segunda quinzena de abril e o mês de maio. Tradicionalmente, maio é período em que eclodem os casos de dengue e Influenza. Confirmadas as previsões, Ri­beirão Preto terá que lidar com três epidemias ao mesmo tempo, sem que tenha infraestrutura hospitalar adequada para acolher os doentes.

A pandemia do coronavírus expôs as fragilidades do siste­ma de saúde em todas as unidades da Federação e as escolhas erradas feitas por diversos governos em Ribeirão Preto. O direito à saúde consta dos artigos 6.º e 196 da nossa Cons­tituição. No entanto, o Brasil continua sendo um dos países em que há menos investimento público na área, embora seja dever do Estado prover “acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”, como diz o texto constitucional.

Para que o nosso país, nosso estado e nosso município respeitem o direito constitucional do nosso povo à saúde, é necessário um robusto investimento público na ampliação dos serviços do SUS e na valorização dos nossos servidores. Tal investimento deve se dar diretamente no atendimento dos brasileiros e também em políticas públicas essenciais como a superação da falta de saneamento básico, que condena parte considerável da população a viver em condições insalubres.