O DNA que deu origem a classe dominante brasileira é um DNA da subserviência aos poderosos, que por mais de quinhentos anos atrasam o Brasil. Sempre que os movimentos nacionalistas vislumbram um horizonte de independência e autonomia, mais a reação das forças retrogradas é violenta, e não deixa nada mudar. São organizadas e financiadas por quem tem o poder no momento – e nos dias de hoje quem dá as cartas é o grande império do norte. As Reformas de Base propostas nos anos 1960 pelo Presidente João Goulart, que já vinham sendo discutidas no governo anterior de Juscelino Kubitschek, reformas que iriam tirar o Brasil do atraso secular -acontece que os tentáculos do Tio Sam aliados aos subservientes com o espirito de colonizador – exterminaram qualquer possibilidade de mudança.

E essa subserviência, que para eles é coisa natural, pois levam a certeza que nunca seremos um País evoluído, e por conta disso é melhor ter um padrinho poderoso que morrer pagão. Em 1950, após a derrota da Seleção Brasileira na final da Copa do Mundo, o jornalista Nelson Rodrigues atribuiu a derrota ao perfil de inferioridade que a maioria dos brasileiros carrega, dando o nome de “síndrome de cachorro vira-lata”, que colou na personalidade do brasileiro. Mas se analisarmos a vida destes animais, veremos que a comparação é injusta para os mesmos.

Desde a Proclamação de Republica até 1988 vivemos sob a tutela de regimes de exceção, com raros momentos de liberdade. Mas a jovem Democracia produzida por uma Constituição chamada cidadã, não resistiu a um novo tipo de golpe engendrado pelos entreguistas, com o apoio irrestrito do império do norte. O Tio Sam já invadiu diversos países com as mais diversas desculpas, como armas químicas e nucleares, e por coincidência todos grandes produtores de petróleo. O Brasil através da Petrobras teve a felicidade de descobrir o Pré-Sal, um petróleo de qualidade a baixo preço para extração, e o império nos dormiu de toca.

Dominar de volta a América Latina, onde alguns países estavam adquirindo autonomia era fundamental, mas as armas tinham que ser outras, pois o velho golpe militar se mostrou ultrapassado. Desestabilizar os países através da propaganda do capital, que propõe o Estado mínimo, e os mais pobres que não tenham como sobreviver com dignidade sejam acolhidos pela caridade e filantropia é a linha mestra do novo capitalismo. Tentaram em alguns países, sem muito êxito, mas no Brasil o conluio entre um Congresso de maioria corrupta, e um Judiciário que não cumpre seu papel, e com a supervisão e orientação do patrão do norte levaram o Brasil a uma instabilidade política que culminou com o golpe jurídico parlamentar, que destituiu uma Presidente legitimamente eleita, sem nenhuma prova que tenha cometido crime de responsabilidade. Com o caminho livre e sem contestação da grande massa, o Brasil passou a ser um grande laboratório para novas experiências do capital internacional.

O Pré-Sal que seria a redenção da educação e saúde já mudou mão, agora são as grandes petroleiras internacionais que mandam no pedaço, e com todas as bênçãos duma camarilha de entreguistas e ladrões, que isentaram essas pobres empresas do pagamento de um trilhão de reais em impostos, e ainda as liberaram de ter que cumprir o conteúdo nacional, isto é, não precisam mais comprar no Brasil os insumos para a exploração do petróleo, podem trazer tudo de fora sem pagar impostos, e os milhares de empregos que eram gerados deixaram de existir; coisa de gente canalha.

A reforma trabalhista vai nos levar a patamares do século 19, mas dizem que tudo vai ser para o bem da população. E ainda temos a reforma da previdência que está em banho-maria, e que vai prejudicar ainda mais a vida dos mais pobres, e para variar não vai mexer com os privilégios dos andares de cima, e das coberturas. Voltamos sempre no mesmo dilema: Nada evoluí em nosso País – tudo se repete!

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