O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, negou que a Suprema Corte brasileira tenha imposto censura à revista Crusoé, em entrevista concedida na manhã desta quinta-feira, 18, à Rádio Bandeirantes. Na sua avaliação, a instituição apenas se defen­deu de ataques e notícias que ele classifica de inverídicas. “Hoje sou presidente da Corte, querem atingir o STF, por isso temos de ter defesa, não po­demos deixar o ódio entrar na nossa sociedade”, destacou na entrevista que foi retransmitida também em outros veículos do Grupo Bandeirantes.

Segundo Toffoli, a me­dida adotada pelo ministro Alexandre de Moraes, com relação à reportagem intitu­lada “O amigo do amigo de meu pai” foi respaldada pela Constituição, ao contrário dos que pregam os críticos, alegando uma afronta à Car­ta Magna. A publicação toma por base um documento da Operação Lava Jato, no qual Marcelo Odebrecht revela que o codinome utilizado em mensagem a executivos de sua empreiteira se referia a Toffoli, que na ocasião era o Advogado-Geral da União. “Não se trata de censura. A Constituição fala em censu­ra prévia e é clara quanto ao abuso no conteúdo divulga­do”, argumentou. E disse ter a tranquilidade de que a deci­são de Moraes não foi censu­ra, mas uma “proibição”.

Indagado na entrevista ao Jornal Gente, da Rádio Ban­deirantes, se ele era “o amigo do amigo do meu pai”, como disse Marcelo Odebrecht à Lava Jato, Toffoli riu e disse: “É curioso, dou até risada”. E argumentou que as pessoas acabam acusando as outras, muitas vezes, sem base algu­ma. Questionado se pretende processar Marcelo Odebrecht por ter dito que “o amigo do amigo do meu pai” era o codi­nome utilizado para se referir a Toffoli, o presidente do STF disse que “essas questões serão resolvidas posteriormente”. Ele admitiu, contudo, que na oca­sião em que chefiou a Advo­cacia-Geral da União (AGU), tratou de questões relaciona­das à empreiteira, mas que o pleito dela foi negado. “Como AGU, atendi todos que me procuravam, o que era deman­da da Odebrecht, foi negado.”

Segunda instância
No início da entrevista, Tof­foli disse que o documento com o e-mail de Marcelo Odebre­cht com citação ao seu nome “surgiu” um dia antes da Corte pautar a decisão sobre um tema polêmico, prisão em segunda instância. A matéria estava pre­vista para ser julgada no dia 10 de abril, mas segundo ele foi adiada em razão de um pedi­do da OAB. “O documento (da Lava Jato com o e-mail de Ode­brecht) entrou no dia 9 de abril e no dia 10 seria julgado a prisão em segunda instância, tirem suas conclusões”, emendou.

Sobre a possibilidade de o Senado instaurar a CPI da Lava Toga, Toffoli disse que “nenhum ministro do STF tem qualquer razão para ser investigado.” Se­gundo ele, isso é ilegal porque afronta a divisão de poderes. “Os poderes são harmônicos, há coi­sas mais importantes no Brasil, como a reforma da Previdência. Há o desemprego a ser enfrenta­do e não devemos gastar energia com algo desnecessário. Temos de gerar emprego, temos de de­senvolver o Brasil, temos de pa­rar de jogar pedras e ódio.”

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