Negacionismo mortal

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A julgar pela vontade exacerbada e descabida do Gover­no de retomar as aulas presenciais nas escolas municipais de Ribeirão Preto, a pandemia da Covid-19 parece ser uma catástrofe que ficou para trás. Nada poderia ser mais inconse­quente neste momento! E felizmente a Justiça entendeu isso e mostrou que apenas a vontade governamental, sem garantias de segurança, não é, nem nunca foi, o suficiente.

Enquanto Municípios vizinhos, como Araraquara, estabe­lecem e prorrogam lockdown, e pedem ajuda ao Exército para evitar que pessoas saiam de casa, Ribeirão Preto age como se o pior já tivesse passado, e tudo voltou ao normal. Voltamos para a fase VERMELHA, o que mostra que o Sindicato sem­pre esteve correto ao defender que volta às aulas presenciais somente com garantia à vida!

A pandemia, cumpre reafirmar, não acabou! Ao contrário, ganhou força com uma nova variante do vírus ainda mais contagiosa e mortal. Esse vírus que mudou durante o pro­cesso de replicação atinge com violência adultos mais jovens e cientistas alertam para a possibilidade de que esta nova variante possa infectar e atingir mais facilmente as crianças.

O Brasil caminha a passos largos para atingir a marca dos 300 mil mortos pela Covid-19 em março, caso seja manti­da a terrível média móvel acima de mil óbitos por dia. É o segundo país com o maior número de vítimas fatais do novo coronavírus, perdendo apenas para os Estados Unidos, que registram quase 590 mil mortos. É o único país do mundo onde a letalidade da doença avança e não há vacina para a imensa maioria da população.

É em meio a essa tragédia sem precedentes na história do País que o Governo, sem nenhum embasamento cientifico, sem nenhum protocolo atualizado, insiste no retorno inopor­tuno às aulas presenciais.

Quanto maior a cautela, mais segura e duradoura será a retomada das atividades normais. Quanto mais negligente, maior o risco de aumento de contágios e mortes e mais duras serão as medidas de contenção do vírus.

O Governo age com inoportuna negligência. Os protoco­los de segurança para a volta às aulas são vagos, tanto que a Justiça do trabalho evidenciou tal situação em seu despacho.

O vírus originário, como a sua mutação mais contagio­sa, são implacáveis e não ligam para as declarações vazias do Governo de que a volta às aulas é um procedimento seguro. Não é seguro! A nova variante do vírus, ainda mais mortal e contagiosa, avança circulando entre nós. O número de infectados e de mortos tende a subir após o retorno das aulas presenciais.

Como acontece nas administrações públicas mais desorga­nizadas e pouco responsáveis, o Governo Municipal responde à pandemia sem planejamento e controle, talvez esperando que a tal imunidade de rebanho seja atingida e o vírus não tenha mais por onde circular. É um tipo de política que deixa por conta do vírus o destino de todos nós, inclusive crianças e adolescentes. O problema é o preço, em vidas, que ela cobra! Mas estamos aqui para buscar a preservação da vida, seja através da política ou seja através da Justiça!