Ano que se inicia, esperanças e sonhos que se renovam, alegria que resolve dar as caras… Tudo isso se parece com um cenário de oásis em meio ao deserto calorento como tem sido esse verão escaldante. Não assisto aos programas de retros­pectivas que as emissoras propõem, pois sempre realçam as tragédias, as desgraças e a violência que em grande parte poderiam ter sido evitadas se a responsabilidade de gover­nantes e sociedade civil fosse realidade compartilhada e não mero protocolo.

No fim de um ano conturbado como o que passou e início de outro ano novo, graças a Deus, penso ser necessário escrever os nossos sonhos, ou pelo menos pontuar o que pre­tendemos realizar e o faremos com os pés no chão. Algumas coisas diferentes poderemos fazer para que haja mudança no mundo que nos rodeia.

Sempre é tempo de esperança, aquela virtude que encanta as suas irmãs mais velhas, a fé e a caridade; “a esperança é irrequieta”, nos dizia um pregador, ela fica sempre instigando a fé e o amor-caridade a agirem mais… Sem esperança, nossos sonhos e projetos se transformam em poeira, e somem, se desfazem, se perdem. Com esperança renovamos nossos sonhos, renova-se a nossa capacidade criativa, a alegria ganha novo fôlego e sepultamos o desânimo. Nossa esperança não é ilusão, nossa esperança é graça, pois seu fundamento é a ação bondosa de Deus em nossa vida.

Esperança, fé e amor sempre estão unidos, são insepará­veis e nos provocam a buscar a alegria do viver para semear mais graça e sabor em nossa existência. Do nosso dicionário devem ser banidos alguns verbetes como desânimo, desistir, abandonar, recuar; esses não nos ajudam a olhar adiante prin­cipalmente quando a situação está difícil.

Claro que não vivemos nas nuvens e muito menos nos alienamos dos problemas a enfrentar, entretanto, se não contarmos com o beneplácito vigoroso do amor manifestado em Cristo, realizaremos filantropia com prazo de validade determinado. E mesmo que o mundo circunvizinho esteja cercado de cadáveres ambulantes e insepultos, nossa alegria deve contagiar aos que nos cercam a ponto de transformar­mos pensamentos, sentimentos e atitudes.

“Não se concebe um cristão sem alegria”, afirmava o Papa Francisco; o “desânimo não é cristão”! Assim, poderemos viver todos os dias do ano novo construindo vida nova, ale­gria, fraternidade, distribuindo as sementes de esperança, fé e amor, pois alguns já perderam as suas. Não esperemos que novos governos façam obras mágicas. Façamos o que estiver ao nosso alcance para que o mundo seja melhor. Sejamos construtores de paz, de unidade e de comunhão. Nosso ali­mento é o Cristo Senhor que nos deixa de presente a sua Paz!

Feliz, abençoado, alegre e cheio de esperança seja o novo ano para nós todos. Sejamos protagonistas da ternura de Deus revelada na simplicidade do Presépio. Seja nosso manto a humildade e nosso compromisso a proximidade!