O Dia de São Sebastião

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O Poder Público Municipal, através da Lei 11.919, de 2009, ins­tituiu o dia 20 de janeiro como feriado para se comemorar o pa­droeiro da cidade, São Sebastião. Não se sabe porque José Mateus dos Reis, proprietário da Fazenda das Palmeiras, escolheu o santo como padroeiro da capela que pretendia elevar em sua proprieda­de. À época, a região foi sendo tomada por mineiros, que se apos­savam da terra e as demarcavam. A existência de uma capela seria grande prova para o pedido de regularização das terras e, assim, em 2/11/1845 fincava-se uma cruz de madeira onde seria local da futura igrejinha de São Sebastião das Palmeiras, na fazenda do mesmo nome.

Outros posseiros da região, também interessados na regularização de suas terras, contribuíram com o Patrimônio de São Sebastião, o que permitiu, em 19 de junho de 1856 a fundação de nossa cidade e a legitimização progressiva das terras.

Meu querido amigo e colega de Otoniel Mota, Sérgio Roxo da Fonseca, intelectual de primeira grandeza, em várias de seus escritos gosta de falar sobre a “Mui Leal e Valorosa Cidade de São Sebastião do Ribeirão Preto”, como deveria ser denominada nossa urbe. Mas, quem foi o santo escolhido para nos proteger e amparar?

De acordo com a hagiografia católica, São Sebastião nasceu na cidade romana de Narbona, atualmente localizada na França, no ano de 256 d.C., filho de uma família abastada. Passando sua infância e juventude em Milão, logo decidiu seguir a carreira paterna e ingressou no exército romano. Sempre trouxe consigo e divulgou sua crença cristã. No reinado de Maximiano, Impera­dor Romano do Ocidente, houve uma perseguição aos cristãos das cortes romanas e Sebastião, denunciado, recusou-se a abjurar sua fé.

Foi condenado a morte, de forma aviltante. Nu e amarrado em uma árvore, foi alvo de várias flechadas. Sangrando abundan­temente, foi deixado para morrer. Socorreram-no fiéis da mesma seita. Recuperado, Sebastião (Sebastós em grego significa divino) continuou sua pregação, tendo ido até o Imperador Maximiano pleitear o fim das perseguições no exército. A atitude enfureceu o monarca que decretou sua segunda morte, desta vez por chicota­das, sendo seu corpo lançado numa fossa para que não mais fosse encontrado. Este martírio ocorreu no dia 20 de janeiro de 287 d.C.

Sebastião tornou-se santo pela vontade e devoção dos popu­lares, que observavam seus reiterados milagres. O vigésimo oita­vo Papa da Igreja Católica, Caio (245 – 296) ratificou esta escolha e nomeou Sebastião Defensor Glorioso da Igreja de Deus.

Em nossa cidade, São Sebastião é venerado na Catedral Metropolitana, que o exibe em imagem no seu altar-mor e numa série de preciosos quadros do pintor paulista Benedito Calixto, natural de Itanhaém. Estátua de seu martírio decora um dos jardins laterais da igreja.

Para os religiosos, a data é momento de reflexão sobre a firmeza do santo em defender sua fé, e os inspira para continuar sua missão nos momentos atuais em que vivemos. As flechas significam as imensas dificuldades pessoais e do nosso país, a exigir nossa atuação eficiente e o seu corpo a resistência a estas dificuldades.

Para os não religiosos, que bebem nos fatos da História mo­tivação para suas ações, fica a lição de persistência, intransigente defesa daquilo em que acreditamos, lições que o santo nos dá.