O furor incendiário contra o país

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Essa semana foi, literalmente, de chamas e fumaça. A escuridão tomou conta da maior cidade do país na segunda-feira. Mas não foi só lá. Os incêndios florestais do Norte e do Centro-Oeste desequilibraram o clima em várias regiões com a fuligem de um país em combustão. Ima­gem perfeita que reflete muito bem o outro apagão anunciado e, agora, conscientemente levado à frente pela política de desmonte de tudo o que construímos de civilização na nossa história.

Nunca tivemos um governo tão tóxico e destrutivo, promotor de tantos crimes de lesa-pátria, crimes que vão se perpetrando sob o olhar complacente de boa parte dos que levaram à Esplanada um bando de milicianos em aliança com a banda podre das Forças Armadas, com os já bem conhecidos vendilhões da pátria, todos abençoados pelo manto de uma religião mais pagã do que cristã.

José Carlos de Assis, economista e doutor em Engenharia de Produ­ção, em chocante texto publicado em seu blog semana passada, fala de uma verdadeira devastação nacional que atinge as estruturas nacionais construídas pelo Estado e pelo próprio setor privado. E relaciona toda essa sanha de destruição aos projetos de Donald Trump para o mundo e para a América Latina em especial.

A topeira do Tio Sam tem por aqui seus parceiros oferecidos de Guedes e sua equipe de Chicago boys, radicalizando o que foi iniciado com máxima eficácia pela Lava Jato, tão bem desnudada agora pelas revelações do Intercept. O rei está nu. Só não o percebem os envolvidos ou os que teimam em acreditar nas pós-verdades. Torna-se evidente um conluio bem urdido entre os daqui e os de fora para se estabelecer uma “nova” ordem que de nova mesmo só tem o seu furor.

Querem empurrar o Brasil para o cenário da guerra geopolítica de­cretada por Trump contra a Rússia e a China. Acreditamos durante mui­to tempo que o confronto ideológico explicasse por si só a guerra fria. E hoje percebemos que ela continua intramuros do próprio capitalismo. E é bom não esquecermos de que foram cenários parecidos que levaram o mundo a dois conflitos que ceifaram milhões de vidas.

José Carlos de Assis afirma que nós viramos um cocô no cenário dessa guerra. Bolsonaro gosta de cocô. Enquanto as pessoas riem das pataquadas de Trump e de Bolsonaro, “por baixo operam os reorde­nadores do mundo, que tem, entre outras prioridades, a de submeter completamente a América Latina a suas empresas”. Outra coisa não explica o desespero dessa gente diante de uma bastante provável vitória do Kirchnerismo na Argentina.

Um dos movimentos estratégicos fundamentais é afastar o Brasil da Rússia e da China, se possível descolando o nosso país do BRICS. Isso tem uma dificuldade, na medida em que a China é o maior par­ceiro comercial do Brasil e a Rússia está atrelada ao BRICS. Sabemos que para Bolsonaro isso não é um empecilho absoluto. Não será difícil rifar os produtores de soja em nome da “democratização” da China. Já o BRICS pode ser congelado para derrotar a Rússia. O futuro embai­xador nos Estados Unidos poderá cuidar dos detalhes. Isso explica a necessidade de se ter em Washington alguém de absoluta confiança para essa “nova” ordem. A onda de privatizações, colocada agora na agenda política, busca a debilitação máxima do Estado para facilitar ao máximo a submissão externa.

O pré-sal está sendo entregue em nome da “eficiência”, como se a Pe­trobrás não fosse a mais eficiente do mundo em águas profundas. A Lava Jato deu uma contribuição inestimável ao destruir as principais constru­toras brasileiras e limpar o terreno para a entrada das estadunidenses. Foi-se depois a Embraer, a maior empresa de tecnologia do país.

A bola da vez agora é a Eletrobrás. José Carlos de Assis lembra até mesmo das nossas tradicionais empresas de cerveja que foram parar numa fração acionária da Ambev. E ele não se esquece de advertir até mesmo a Globo: “Será uma tragédia se uma empresa de telecomunica­ções norte-americana comprasse até mesmo nossas máquinas de fazer sonhos”. Um verdadeiro furor incendiário destrói a passos céleres todo um patrimônio nacional herdado das gerações passadas. Kyrie Eleison.

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