Quando na década de 1930, o garoto Peter Tamm, de 6 anos, morador de Hamburgo, ganhou a réplica de um barco e com ela começou sua coleção, não imaginava que, quase oitenta anos depois, ela se transformaria num dos maiores museus marítimos do mundo, o Museu Marítimo Internacional de Hamburgo. 
 
Localiza-se na região do antigo porto da cidade. Com o surgimento de navios containeres, as velha instalações não eram mais eficientes e precisaram  ser transferidas para nova área. Para que a região não sofresse rápida deterioração, a Prefeitura de Hamburgo começou a elaborar um grande plano de restauração, concretizado em 2000 na HafenCity (cidade do porto), enorme projeto de urbanismo que transformou a região num dos mais dinâmicos polos de desenvolvimento da cidade-estado (Hamburgo, Bremmen e Berlim são as três cidadesestados da Alemanha).  
 
Hoje, a área é repleta de edifícios residenciais de alto padrão, prédios comerciais e várias e amplas alamedas arborizadas e floridas, dotadas de todo equipamento para o lazer dos moradores, tudo sob a sombra da nova Elbphilarmonie, lar da orquestra sinfônica local, com seu telhado de vidro que reproduz as ondas do mar. 
 
O prédio onde está localizado o museu, foi oferecido pela Prefeitura  ao colecionador para ali, por 99 anos, ele expor sua vasta coleção.Trata-se de um velho silo do século XIX, sobrevivente dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Construído no peculiar estilo hanseático (Hamburgo dividia com Lübeck a liderança da Liga Hanseática, grupo de inúmeras cidades europeias com o objetivo de defender os interesses comerciais de então), todo em tijolos vermelhos, exigiu exaustiva recuperação, bancada com verbas de empresários e cidadãos. Através de um projeto arquitetônico fantástico, colocaram-se dez andares na estrutura primitiva, que abrigam as várias mostras e coleções. 
 
Seus números são exponenciais: só a coleção de modelos náuticos contém 40 mil unidades, na escala 1:1250. Uma curiosidade: esta proporção corresponde a vista que tem um piloto de avião a 2.000 metros de altitude e os modelos foram várias vezes usados para fins militares. Além disto, há várias maquetes reproduzindo batalhas travadas pelos hamburgueses e alemães e um andar inteiro de arte náutica, oferecendo enorme quantidade de quadros e fotografias (mais de um milhão de fotos) sobre o tema. 
 
Uniformes de todos os tempos, objetos das cabines, estas com várias reproduções em tamanho natural, tanto de navios mercantes como de guerra, uma seção fantástica de mapas marítimos, bandeiras nacionais e de sinalização, ao lado da parte interativa, onde, entre outras atividades, o visitante pode atracar um navio nos portos de Hamburgo,Singapura ou Roterdamm. 
 
Há ainda a reprodução das várias naus que serviram para o homem vencer os mares, nos últimos 3.000 anos, bem como a arte marítima de reprodução de navios  em ouro, prata, âmbar,marfim, provenientes de várias partes do mundo. 

 
Uma seção dedicada aos torpedos nos esclarece sobre a complexidade do armamento, seus mecanismos eletrônicos de direção, tudo destruído quando ele atinge o alvo. 

 
Mesmos os que não tem grande familiaridade com o assunto  como eu, se encantam com o museu, hoje uma das mais visitadas atrações culturais de Hamburgo.Na saída, uma grande hélice de bronze decora a esplanada fronteiriça, demonstrando a importância do transporte marítimo e fluvial para a movimento de mercadorias pelo mundo todo. Naquela coleção enorme, estão reproduzidos também rios navios brasileiros. 

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