O Natal deste ano vem revestido da graça do Ano Nacional dos Leigos. Porém, ainda ressoa em nossos corações o Ano Nacional Mariano, que nos enriqueceu com o exemplo daquela que foi chamada a “Estrela da Evangelização” pelo Beato Papa Paulo VI. Se o Natal é de Jesus, nós somos os convidados, que presente levar ao aniversariante seja à manjedoura decantada na noite feliz, seja ao altar celebrando-O na eucaristia? O que Jesus espera de nós, clérigos e leigos neste Natal? Aprendamos daquela que se tornou o porta-joias do Salvador do mundo!

É na figura e na disponibilidade de Maria que aprendemos a ser porta-joias de Jesus, engravidando-nos d’Ele. Deus nos dribla em todo o seu projeto salvífico: escolhe o seio de uma insignificante e desconhecida pela sociedade elitizada de sua época, menina, de uma também desinteressante cidadezinha, chamada Nazaré. Uma leiga sem grande destaque ou prestígio entre as famílias de seu tempo. Era economicamente bem pobre!

Ainda hoje, quando a filha da vizinha engravida antes do casamento, nossa cultura ocidental critica e fala mal. Infelizmente somos, ainda, uma sociedade hipócrita e medíocre. Posso muito bem imaginar a situação de Maria em Nazaré: noiva de José, grávida do Espírito Santo; era realmente demais a ser compreendido assim, num toque de mágica, até mesmo porque Deus não é mágico. Qualquer moça no lugar de Maria ficaria esperando as reverências da mulher mais importante do mundo: afinal, seria a mãe do próprio Deus! Mas não foi isso que nos quis ensinar a História da Salvação.

Maria, sabendo através do Anjo Gabriel, que da esterilidade e da velhice nasceria uma vida: a de João Batista dirigiu-se apressadamente às montanhas de Judá, para servir sua prima Isabel, grávida de seis meses. O encontro dessas duas mulheres e a saudação das duas crianças, ainda no útero de cada mãe, simplesmente me encantam e incentivam-me a querer ser o porta-joias de Jesus! Este encontro e a saudação de ambas nos garantem valores que brotam da pequenez e do insignificante aos olhos da sociedade. Mostram-nos que é a solidariedade verdadeira, que leva alegria e esperança aos preferidos de Deus, os mais pobrezinhos de ontem e de hoje.

Uma família muito cristã costumava convidar o pároco para o almoço de Natal. Após um desses almoços, a dona da casa percebeu que faltava um garfo de prata, utilizado somente para almoços festivos, como o do Natal. Logo pensou: “O padre levou nosso garfo”. No ano seguinte, não se contendo, a mesma senhora perguntou espontaneamente ao pároco: “Padre, o senhor roubou um de nossos garfos no almoço do Natal no ano passado”? O padre respondeu: “Não, minha cara senhora, eu deixei o garfo dentro da Bíblia, bem na página do Evangelho que narra o nascimento de Jesus”.

Que este Natal no Ano Nacional dos Leigos nos incentive à palavra orante da Sagrada Escritura, para vivermos mais intimamente com o próprio Cristo que se convida a estar conosco todos os dias do novo ano que desponta! E assim, com Ele entre nós, seremos “sal da terra e luz do mundo” (cf. Mt 5,13-14).

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