O que está acontecendo na Igreja do Papa Francisco

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Muitos pensam: “Da unidade da crença e disciplina passamos ao questionamento, quando não à hostilidade”.

Alguns bispos e padres se posicionam contra o Papa, acusando-o de heresia e pedindo sua renúncia. Nesta pandemia, católicos conservado­res questionam a ausência da eucaristia e se esquecem que a Eucaristia sem lava pés, perde seu sentido.

Imitam exemplos de mandatários que fazem pouco caso à letalidade do Covid-19, ironizam a vacina e máscaras, negam a ciência, e fomen­tam aglomerações. Alguns religiosos julgam o fechamento de igrejas como falta de fé.

Na disciplina clérigos insistem no uso de batina e não aceitam a dis­cussão sobre o celibato, contestam o Sínodo da Amazônia e até o Concílio vaticano II. Apóiam-se no silêncio de boa parte do clero e até procuram respaldo em políticos da extrema direita, negacionistas e terraplanistas.

Quais cavaleiros do Apocalipse de batina, desligados da vivencia quotidiana, esquecem da finalidade da lei que é a vida. Empunham armas e usam as letras das leis como baluartes de seus princípios, igno­rando a caminhada da sociedade.

Na pátria de Trump, horrorizados, e justamente, pelos delitos do aborto, fazem da criminalização a bandeira do verdadeiro cristianismo. Tacham de anti Cristo, quem vê o flagelo do aborto sob ângulo diferente.

Sem nenhum escrúpulo espalham mentiras, mandam refugiados de volta à morte certa, verdadeiros ecocidas a incentivar políticas que agravam a mudança climática e pior, separam crianças dos pais, muitos destes na tortura de encontrar a própria família. E ainda vestem-se de paladinos da moral cristã.

No outro extremo temos bispos, notadamente na Alemanha, que pregam a abolição do celibato, o sacerdócio para as mulheres e declaram que a preferência sexual dos humanos pode assumir na puberdade uma orientação heterossexual ou homossexual.

A respeito do aborto há religiosos que crêem se tratar de uma ques­tão de saúde pública sob alegação de que mulheres pobres morrem em fundos de quintais enquanto as mulheres ricas viajam para países onde o aborto não é criminalizado.

Também dizem: “Já que a lei não consegue eliminar o crime como a prostituição ou o alcoolismo, que pelo menos, o estado laico, faça campanhas educacionais e tente diminuir as mortes das mães com campanhas educativas.“

A história da cristandade é caracterizada pelas lutas, perseguições e divisões. Sempre na Igreja, com a pretensão da ortodoxia, há grupos querendo impor fardos pesados nos discípulos de Cristo. Nos tempos apostólicos queriam obrigar os gregos ao rito da circuncisão.

Precisou do primeiro Concílio para dirimir o problema. Antes das modernas tecnologias da comunicação instantânea ao alcance de todos, as notícias mal chegavam ao povo. Hoje, o povo por desconhecer a história da Igreja, se pergunta : “Que está acontecendo na Igreja, agora?”

No meio do mar revolto navega o barco de Cristo com seu timonei­ro Francisco. O Papa não se assusta com os problemas da polarização política e nem com o inimigo acusador, o demônio, que não dá sossego a espalhar o joio. O Pontífice sabe que evangelho não é monopólio da direita ou esquerda.

Sabe também que quem está no comando é o Filho de Deus e contra ele e a sua Igreja as forças infernais não prevalecem. Com tranquilidade procura conciliar tudo na certeza da vitoria do Senhor.

Dize-se que quando Napoleão levou preso Pio VII teria afirmado que este seria o último Papa a reinar. A nêmese histórica decretou o contrario: Napoleão, o anticristo, como o apelidara a rainha Maria I de Portugal, terminou melancolicamente na perdida ilha Santa Helena, enquanto o Papa, em Roma, continua a ser o herdeiro das chaves do Reino do Nazareno.