Ocupação entre os negros cai 18%

0
17
EXPO CONSCIÊNCIA/ARQUIVO

De acordo com estudo da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados Estatísti­cos (Seade), os efeitos negati­vos da pandemia de covid-19 sobre a atividade econômica influenciam diretamente o mercado de trabalho, afetan­do de forma desigual os gru­pos populacionais, notada­mente a população negra no Estado de São Paulo.

No segundo trimestre, mo­mento de maior força da pan­demia de covid-19 no Estado, a retração do nível ocupacional foi intensa, sendo novamente maior para negros (-15,9%, ou -1,4 milhão de ocupados) do que para não negros (-7,1%, ou -949 mil ocupados).

Em relação ao quarto tri­mestre de 2019, estima-se que os contingentes no segundo trimestre de 2020, período em que se observa o declí­nio no número de ocupados, tenham diminuído em 1,7 milhão (18,2%) de ocupados negros e 1,2 milhão (8,8%) de não negros no mercado de trabalho paulista.

O comportamento do ní­vel de ocupação por raça/cor e sexo mostra que, no segun­do semestre de 2020, homens e mulheres negros foram os mais afetados, em termos relativos e absolutos. Entre os ocupados, houve redução de 762 mil homens negros (-15,4%) e de 646 mil mulhe­res negras (-16,6%).

Já os homens e mulheres não negras tiveram reduções menores: respectivamente, -6,3% (ou -453 mil) e -8,0% (ou -496 mil). Entre o pri­meiro e o segundo trimestres de 2020, os negros que con­tribuíam à previdência (os formais) tiveram redução de 12,4% e os que não contribu­íam (os informais), de 23,5%, bem superiores às verificadas entre os não negros: 5,7% e 11,2%, respectivamente.

A taxa de desocupação, que apresentava uma trajetó­ria de suave declínio durante 2019, registrou forte cresci­mento entre o primeiro e se­gundo trimestres de 2020, em especial entre os negros, cuja taxa passou de 14,3% para 17,1%, enquanto a dos não negros ampliou-se de 10,8% para 11,3%.

Para os negros, a taxa de subutilização da força de tra­balho (desocupados mais ocupados com jornada menor mais pessoas que não procu­raram trabalho mas precisam trabalhar e estão disponíveis para começar imediatamen­te) aumentou de 23,1% para 29,9%, entre o primeiro e se­gundo trimestres de 2020, um aumento maior do que a dos não negros, que passou de 18,3% para 22,6%.

Essa taxa para as mulhe­res negras alcançou 36,0%, o maior aumento nesse pe­ríodo. O segundo trimestre de 2020 foi marcado pela redução do rendimento mé­dio efetivamente recebido pelos ocupados, sendo que a retração foi semelhante para negros (-15,0%) e não negros (-15,4%). O valor médio rece­bido pelos negros (R$ 1.921) manteve expressiva diferença (55%) quando comparado àquele recebido pelos não ne­gros (R$ 3.468).

Comentários