ALFREDO RISK/ARQUIVO

O Sindicato dos Empregados em Empresas de Transporte Ur­bano e Suburbano de Passagei­ros de Ribeirão Preto (Seeturp) recusou a nova proposta do Consórcio PróUrbano – grupo concessionário do transporte coletivo na cidade, formado por Rápido D’Oeste (50%) e Transcorp (50%) –, que ofere­ceu reajuste salarial de 7,59% para a categoria e a manuten­ção de todos os benefícios.

Segundo o presidente do Seeturp, João Henrique Bueno, a proposta não agradou os cer­ca de 600 motoristas de ônibus da cidade e a greve da categoria pode ter início à zero hora de terça-feira, 13 de julho. Antes, na segunda-feira (12), o sindi­cato vai comunicar a população sobre a paralisação para que os usuários possam se planejar com antecedência.

A proposta foi apresentada na quarta-feira (7) em uma reu­nião entre consórcio e sindicato. O Seeturp disse ao PróUrbano que apresentaria a oferta para a categoria, desde que fosse co­locada oficialmente em ata da reunião. Porém, João Henrique Bueno diz que os empresários se recusaram a lavrar o acordo. Sem um documento oficial, a entida­de sindical descartou a proposta.

Na noite desta quinta-feira (8), o consórcio reiterou a ma­nutenção da proposta e disse que estava à disposição para fechar o acordo imediatamen­te, caso o sindicato aceitasse a oferta patronal. Os motoristas declararam estado de greve na segunda-feira (5).

Na terça-feira (6), o Seeturp comunicou a Empresa de Trân­sito e Transporte Urbano (Tran­serp) e o Consórcio PróUrba­no, conforme exige a legislação trabalhista. Quando um setor considerado essencial para a po­pulação pretende paralisar suas atividades, o comunicado deve ser feito com no mínimo 72 ho­ras de antecedência.

Esse tempo é necessário para que as autoridades criem meca­nismos e minimizem os efeitos causados pela paralisação. O Consórcio PróUrbano decidiu aumentar a prioposta, chegan­do ao índice reivindicado pela categoria, que pede 7,59% re­ferente à reposição da inflação dos últimos doze meses.

O pedido compreende a inflação entre maio de 2020 e abril deste ano, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do Ins­tituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Primeiro, o consórcio havia proposto cor­reção de 5%. A data-base da categoria é em maio.

Outra reivindicação que te­ria sido recusada pelos empre­sários trata da correção de 10% no vale-refeição, que atualmente é de R$ 732. Saltaria para cerca de R$ 800. O percentual corres­ponde a inflação dos últimos 24 meses, já que o tíquete não foi reajustado neste período. O consórcio diz quer desistiu de reduzir o valor R$ 600, mas não pretende reajustá-lo.

O PróUrbano ressalta que vai manter o plano de saúde fa­miliar dos dependentes dos tra­balhadores do setor. O subsídio das empresas para bancar este serviço é de 70%. No final de maio, os motoristas do transpor­te coletivo ficaram em greve por mais de uma semana devido ao atraso no pagamento do vale-re­feição e do salário do mês.

A greve terminou depois que a prefeitura conseguiu apro­var, na Câmara de Vereadores, o repasse de R$ 17 milhões para o Consórcio PróUrbano. O subsí­dio seria uma forma de mitigar o desequilíbrio financeiro do se­tor, provocado pela pandemia do coronavírus.

Proposta e contraproposta

Proposta do Seeturp
– Reajuste salarial de 7.59% Reposição da inflação dos últimos doze meses com base no INPC
– Reajuste de 10% no vale-ali­mentação Inflação dos últimos 24 meses segundo o INPC Referente a 2,44% de maio/2019 a abril/2020 e 7,59% de maio/2020 à abril/2021

Contraproposta do PróUrbano
– Reposição salarial de 7,9% %
– Manutenção do vale-alimen­tação em R$ 732
– Manutenção do plano de saúde familiar
– Manutenção da hora extra

Fonte: Sindicato dos Empre­gados em Empresas de Trans­porte Urbano e Suburbano de Passageiros de Ribeirão Preto (Seeturp)