Os desafios de estudar o Amor (3): A Teoria Duplex do Amor

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A Teoria Duplex do Amor consiste em duas diferentes partes: uma que sugere uma taxonomia dos estilos do Amor, baseando-se em três com­ponentes, a saber intimidade, paixão e compro­misso, e outra que conceitualiza Amor como uma história. Baseando-se em Karin Sternberg (2014), Psychology of Love, a subteoria triangular do Amor sugere que nós podemos conceituar o Amor como um triângulo, cujos lados são formados por três componentes diferentes: intimidade, paixão e compromisso. Dependendo de quanto cada um desses elementos estão presentes no relaciona­mento, os lados do triângulo do Amor variam em tamanho. Intimidade é associada com sentimentos de proximidade e conexão. Níveis elevados de intimidade implicam que você pode recorrer a seu parceiro em momentos de dificuldade e tem alta consideração e mútuo entendimento com ele. Paixão é relacionada a atração física e sentimentos sexuais. Entretanto, embora sentimentos sexuais frequentemente dominem a paixão, eles não necessariamente fazem isso. Paixão envolve sentimentos de excitação, forte atração e, al­gumas vezes, apego excessivo. Uma necessidade de afiliação, nutrição e fuga, por exemplo, pode, também, contribuir para a paixão. Finalmente, compromisso envolve, em primeiro lugar, a decisão de amar um parceiro e, em segundo, de manter esse amor ao longo do tempo. Mas essas duas partes do compromisso nem sempre ocorrem juntas, pois algumas pessoas podem amar os outros e não se comprometerem com esse sentimento de modo duradouro. Ademais, os três componentes do Amor também interagem entre si.

Combinando-se esses três componentes, podemos obter oito estilos de Amor. Vamos a eles. Se não existir intimidade, paixão ou comprometimento, o resultado é um estilo de ausência de Amor. Se há apenas intimidade, o resultado é gostar e ter amizade. A presença de apenas paixão leva, por sua vez, a um Amor excessivo; e um Amor vazio não tem intimidade nem paixão, apenas o compromisso mantém o relacionamento. Um relacionamento que é caracterizado tanto pela intimidade quanto pela paixão é o Amor romântico. O Amor companheiro possui o componente de intimidade como, também, o com­prometimento com o relacionamento a longo-prazo. O amor volúvel não envolve qualquer intimidade, apenas paixão e comprometimento. E finalmente o Amor consumado, isto é, completo, envolve todos os três componentes a saber: intimidade, paixão e comprometimento.

Pelo fato de a maioria dos relacionamentos envolverem esses três componentes em vários graus, é possível, de acordo com a autora, configurá-los na forma de um triângulo, onde cada lado do triângulo corresponde a uma quantidade de um dos componentes. Na verdade, há um variado número de Tri­ângulos de Amor que as pessoas podem ter: a) Triângulos Real e Ideal, b) Triângulos Autopercebidos e Percebidos por Outros e c) Triângulos de Sentimentos e Ações. Essa parte da Teoria também sugere que os sentimentos de uma pessoa não estão sempre de acordo com as ações destas.

A segunda subteoria da Teoria Duplex envolve Amor como uma história. Sugere-se, assim, que todos os Triângulos do Amor emanam-se de histórias. Desde quando éramos crianças, observávamos na vida diária diferentes relacionamentos de Amor, fazendo concepções do que o Amor poderia ser. O núme­ro dessas histórias de Amos possíveis aproxima-se, por certo, do infinito. Mas, de acordo com o Prof. Robert Sternberg, o pai teórico da Teoria Duplex do Amor, há vinte e seis tipos de histórias de Amor. Citemos algumas. Viciados em Amor estão envolvidos em apego ansioso e em ansiedade de perda do parceiro; Fantasiosos em Amor estão na expectativa de serem escravizados ou de encontrarem um par ideal (príncipe ou princesa) e com este viverem felizes para sempre; Esportistas ou Jogadores do Amor, que entendem o Amor como um esporte ou aposta; Horrorizados do Amor, que tem um relacionamento entendido como interessante ao aterrorizar, ou ser aterrorizado, por seu parceiro. Sacrificados do Amor, que entendem que Amar é dar de si próprios ou receber o Amor de outrem que por ele se sacrifique; Amor Científico, que entendem o Amor como algo a ser analisado e dissecado como um fenômeno natural; e o Amor Viajante, no qual o Amor é considerado apenas como uma jornada.
Como se pode verificar, a partir dos exemplos acima, algumas histórias de Amor são mais comuns que outras. Nelas, se uma pessoa não se adapta a qualquer uma das histórias, ela pode ser vista como inadequada. Além disso, algumas histórias têm mais potencial para sucesso que outras. A rigor, nossas histórias repre­sentam tanto causas quanto efeitos. Ter uma história particular de Amor faz-nos mais prováveis de nos comportarmos de determi­nada maneira. E, por meio desse comportamento, nós modelamos nosso ambiente e eliciamos reações de nossos parceiros e outros.

Quando nos tornamos mais velhos, nossas experiências e interações com outros podem, posteriormente, modelar nossas histórias de Amor. Importa dizer que há algumas diferenças entre gêneros, com as mulheres favorecendo as histórias de viagem e os homens favorecendo histórias de artes, sacrifícios e ficção científica.

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